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Domingo, Janeiro 21, 2007
Há um ano surgia RAIMUNDO PAJEÚ, o blog.
Denunciando a situação de irregularidades, desmatamento, soterramento e abandono do Rio Pajeú.
Lamento informar que a situação ainda não melhorou.
Mais: lamento informar que a situação piorou.
Rio Pajeú 2006: lixo, carniça e cercas de arame farpado;
Rio Pajeú 2007: mais lixo, mais carniça e mais cercas de arame farpado
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Domingo, Janeiro 21, 2007
Este blog completou um ano,
mais precisamente na semana passada (16).
Tenho me comportado como um péssimo pai ultimamente, sem tempo e sem olhos para o filho. Causas:
Estudando para novo vestibular [ é, resolvi voltar à sala de aula ] e mais trabalho, novos compromissos, atividades extras... preciso me virar em dez para garantir uns trocados que paguem as contas da bodega no fim do mês, assim, sobram poucas horas à noite para o sono e a doação de sangue às muriçocas. Ou seja, nada de internet, nada de blog.
Nessa correria toda acabei esquecendo o aniversário do blog, ó-praí !
E eu que tenho tanto a agradecer pelas amizades encontradas graças a ele, pelo aprendizado, pelas oportunidades, pelas cancelas abertas, pelas leituras descobertas, pelos escritos recebidos...
e pela surpresa do número de acessos, uma ruma de visitas que me espanta toda vez que olho o contador, um tanto de gente maior que a população da cidade onde moro. Isso é muita coisa prum matuto recuado quenem eu.
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Domingo, Janeiro 21, 2007
Batik de Catolé do Rocha, na Paraíba.
Foto tirada daqui
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Domingo, Janeiro 21, 2007
Frei Caneca - Revolução de 1817 (1981)
Óleo sobre tela
6 x 4,5m
Instalado na Casa de Cultura de Recife
2007 é ano do centenário de Cícero Dias
o gênio que sabia combinar as mais genuínas tradições pernambucanas com a essência universal da arte. ...
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Domingo, Janeiro 14, 2007
Os meninos de ouro do REPENTE
Os irmãos Nonatos são os responsáveis pela arejada com certa renovação no mundo da poesia popular.
Donos de grande sucesso no Nordeste, se destacam no meio tradicional com seus versos de improviso, o repente, em Festivais, Congressos e Cantorias. Sem abrir mão do acompanhamento da viola.
Mas a grande contribuição dos dois artistas é no mundo da música. Compositores inspirados, fazem uma ponte entre os versos, ritmos e cadências da poesia popular com os temas, sons e estilos da música pop, de consumo, sem abrir mão da qualidade. Às vezes flertando com o brega, às vezes com o (in)digestível sertanejo, conseguem agradar a todos sem desagradar ouvidos e mentes mais exigentes.
Os meninos agora têm um site que reflete esse estilo novo-repente, pena que não colocaram as letras das suas músicas, ou seja, aquilo que eles fazem de melhor.
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Domingo, Janeiro 14, 2007
MAIS SOBRE NOSSO PAJEÚ
A Região Sertão do Pajeú ,em Pernambucano, tem área de 8.689,7 km2. A região é constituída por 17 municípios, com uma população de mais de 297.494 habitantes.
Predomina, em quase toda região o clima semi-árido, sendo a exceção a pequena área de micro-clima de altitude, onde está situado o município de Triunfo, com forte vocação turística.
O principal acesso ao Sertão do Pajeú se dá através da BR 232 e das PEs-320 (Serra Talhada-São José do Egito) e 360 (Ibimirim-Floresta-Petrolina), entre outras. Nestas rodovias circulam praticamente toda a produção e abastecimento.
O Sertão do Pajeú também registra grandes carências nas condições de vida de sua população e relativa escassez na oferta de recursos naturais.
DESAFIOS DO PAJEÚ
No Sertão do Pajeú observam-se problemas como: ausência de tratamento de esgotos, precárias condições de habitação e de saneamento, além da falta de local adequado para destinação final do lixo.
Em algumas áreas o abastecimento d¿água apresenta problemas, devido à presença de poluidores junto aos mananciais ou à sua composição química; nas áreas rurais não existe rede de distribuição nem de tratamento d¿água. A poluição dos rios é provocada em particular pelo lançamento diretamente de dejetos residenciais e industriais.
A precariedade dos sistemas de abastecimento d¿água fica mais evidente nos longos períodos de estiagem. Com a diminuição da água ofertada e colapso do sistema, a população rural sofre mais significativamente, tendo que se deslocar a grandes distâncias em busca de água para o seu consumo ou passa a depender do carro-pipa
Também o modelo de exploração da agricultura e da pecuária é feito à base de tecnologias inadequadas, ( sobretudo com a prática da queimada) causando perda de cobertura vegetal,além da degradação e erosão dos solos.
A taxa de analfabetismo da região (33,2%) é mais elevada que a de Pernambuco (24,5%) .
A taxa de domicílios com abastecimento d¿água inadequado é de 27,5%, é a quinta pior entre as regiões e superior a de Pernambuco que é de 17,0%.
A taxa de mortalidade infantil da região (33,0 em mil nascidos vivos) é a quinta mais elevada entre as regiõesdo estado e superior à de Pernambuco (29,8).
FONTE/mapa: Condepe/Fidem
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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Para quem não sabe onde estamos,
para quem gostaria de saber quantos somos,
um mapinha da região do Pajeú, sertão de Pernambuco.
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Domingo, Janeiro 07, 2007
Boi de Carro
Fenelon Dantas e Delmiro Barros
Fui buscar um boi de carro
Que estava na prisão
Pra levar pra matadouro
A pedido do patrão.
Quando eu joguei o laço,
O animal pra mim olhou,
O que ele me falou
Foi de cortar coração:
Me disse assim - portador,
Destino triste é o meu,
Eu não sei por qual motivo
O meu patrão me vendeu,
Ajudei a tanta gente
Fui escravo do roçado,
Depois de velho e cansado,
Ninguém me agradeceu.
Ao lado do boi vapor,
O meu primeiro parceiro
Só puxava o carro cheio,
Obedecendo ao carreiro,
Na passagem do riacho,
Me ajoelhava no barro,
Ou desatolava o carro,
Ou quebrava o tanoeiro.
Quem trabalhava comigo,
Batia por desaforo,
Cortava meu corpo inteiro
Com um chicote de couro,
Invés de me libertar,
Para morrer no cercado
Meu sangue vai ser jorrado,
Nas tábuas de um matadouro...
foto obtida no Google imagens
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Domingo, Janeiro 07, 2007
Raimundo Caetano e Sebastião Dias :
AS HORAS DE QUEM ESPERA SÃO AS MAIS LONGAS DA VIDA
SD
Esperar quem vem chegando
quando existe uma demora,
essa é a pior hora,
pra o coração latejando,
porque quem vive esperando,
uma pessoa querida,
até mesmo na partida,
o ritmo no peito altera.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.
RC
Toda espera sempre cansa,
quando a pessoa não vem
e é triste esperar alguém,
que não manda nem lembrança,
a mãe espera a criança
desde o dia que engravida,
pela placenta envolvida,
no ventre aonde se gera.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.
SD
Na hora que o correio,
quando a alma está farta,
que o amor manda uma carta,
dizendo porque não veio,
depois que passa do meio
da lista da carta lida,
uma frase inesquecida
dizendo, o amor já era.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.
SD
Eu já esperei de um jeito,
que o coração se cansou,
minha amada não voltou,
eu fiquei insatisfeito,
pra crucificar meu peito,
em minha a dor fez guarida,
desse tipo de ferida
ninguém cura nem supera.
As horas de quem espera
são as mais longas da vida.
TODO DIA EU MEDITO COM SAUDADE
MINHA INFÂNCIA VIVIDA NO SERTÃO
SD
Hoje eu posso dizer que eu sou feliz,
todo dia eu me lembro, quando acordo,
do sertão que vivi e eu recordo,
o jumento, a cangalha e os barris,
uma canga, a correia e seus canzis,
quatro deles prendendo o barbatão,
o azeite oleando o meu cocão,
eis os números da minha identidade.
Todo dia eu medito com saudade
minha infância vivida no sertão.
RC
Não me esqueço da árdua trajetória,
todo dia saindo pra o trabalho,
com a roupa molhada de orvalho,
com a mão estirada à palmatória,
esse é um pedaço da história,
que eu não posso prender na minha mão,
mas se eu for remexer meu coração,
inda dá pra salvar mais da metade
Todo dia eu medito com saudade
minha infância vivida no sertão.
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Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
Em 2007 vamos ouvir falar bastante dA PEDRA DO REINO, romance publicado em 1970, de Ariano Suassuna, nosso secretário executivo de cultura.
Literalmente Romance D'a Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai - E - Volta, o livro de Ariano é considerado uma das mais importantes obras da literatura brasileira, em pé de igualdade com textos do calibre de Grande Sertão: Veredas.
As homenagens ao livro e autor ( 80 anos este ano ) começaram em 2006, com a adaptação e montagem do espetáculo homônimo por Antunes Filho com o Grupo de Teatro Macunaíma e Centro de Pesquisa Teatral. A montagem foi vencedora do Prêmio Bravo 2006 e Associação Paulista dos Críticos de Arte, como Melhor do ano.
Ainda nos três últimos meses de 2006 filmou-se no sertão paraibano, em Taperoá, a microssérie que a Globo exibirá em junho próximo, tendo como diretor o admirado Luiz Fernando Carvalho.
Ariano e seu diretor LFC, em visita à cidade cenográfica, em Taperoá
Estou curioso para ver o resultado desse trabalho e para conferir a participação do meu conterrâneo e amigo Flávio Rocha, do elenco. O maluco passou por cá esta semana, exausto depois dos três meses de confinamento e entrega ao seu personagem, um repentista violeiro amigo do personagem central, Quaderna. Conversamos sobre o trabalho, projetos, sobre Ariano e A PEDRA DO REINO, que nunca li, confesso ( E devo continuar sem conhecê-lo por um bom tempo porque é livro é caro, acima das atuais limitadíssimas condições financeiras de funcionário municipal ) . A ignorância minha só não é total porque ganhei uma agenda caprichada do Centro SUVAG de Pernambuco/CHESF com ilustrações e trechos do livro.
Flávio Rocha
Abaixo, matéria do Jornal do Commércio e entrevista com Flávio:
O Sertão na tela e na vida Publicado em 24.12.2006
Flávio Rocha e Abdias Campos, sertanejos de nascimento, são destaque na microssérie global A Pedra do Reino
( FABIANA MORAES )
Sob o sol a pino de Taperoá (Cariri, Paraíba), dois pernambucanos vestidos com uma pesada roupa medieval-regionalista, própria da estética armorial, sentem-se completamente à vontade. Nascido em Tuparetama, Sertão, a quase 400 quilômetros do Recife, o ator Flávio Rocha e o poeta e repentista Abdias Campos, da região do Cariri, são aluno e mestre, respectivamente. Fazem parte do núcleo de protagonistas da microssérie global A Pedra do Reino, baseada no romance homônimo de Ariano Suassuna, que teve suas filmagens finalizadas na última sexta-feira. A raiz dos dois mostra que seus personagens - Lino Pedra Verde e João Melchíades - são quase uma extensão deles mesmos.
- Tinha lido A Pedra do Reino duas vezes e fiquei maravilhado e desesperado. O encantamento veio com aquele universo que Ariano nos mostra. O desespero, porque eu sempre quis ser um artista e criar um mundo próprio. No livro, vi que Ariano havia feito isso muitos anos antes - , diz Rocha, que há anos trabalha como ator em São Paulo, onde realizou diversos trabalhos com Zé Celso Martinez e a Cia. Livre de Teatro. A experiência teatral, aliás, não impede que o ator assuma sua vocação para a TV e o cinema. - Sempre quis trabalhar na televisão, não nego e não tenho nenhum problema com isso. Essa produção é extraordinária, esteticamente e socialmente - , diz Flávio, que também é jornalista. Na microssérie, seu personagem, Lino Pedra Verde, aprende o ofício do repente com o poeta popular João Melchíades, uma espécie de padrinho de Quaderna, principal personagem do livro de Ariano. Abdias, que desde a infância declama seus versos pelo Nordeste afora, diz que interpretar o mentor do herói de mente maravilhosa não foi nenhum desafio. - A poesia matuta requer interpretação. Aos oito anos, eu declamava meus versos no Sertão. Adolescente, subia em caminhões, na Feira de Caruaru, para mostrar meus versos - , relembra ele.
A relação entre Melchíades e Lino saiu das telas e ganhou o papel: Rocha e Campos escreveram um cordel (A peleja de Lino Pedra Verde e João Melquíades a cerca do reino descoberto), que deve ganhar impressão em breve.
- Escrevemos um cordel juntos - , diz Flávio Rocha, que diz ter reencontrado sua vocação para poesia popular após o papel. Ele recebeu ajuda de Abdias, que o mostrou a métrica e a rima da arte do repente, enquanto Flávio orientou algumas das interpretações do agora amigo. - Cada um contribuiu com o outro - , comenta Abdias Campos.
A Pedra do Reino estréia em meados de 2007. Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a microssérie custou R$ 500 mil por capítulo (são oito). Ariano Suassuna acompanhou diversos momentos da produção estava presente nos últimos dias da filmagem. Adaptada por Bráulio Tavares, Luís Alberto de Abreu e pelo próprio diretor Luiz Fernando Carvalho, a série faz parte do projeto Quadrante.
Taperoá era como você imaginava?
Era. É parecida com Tuparetama, só que mais velha, clássica. Tuparetama é mais recente, mas o comportamento das pessoas é bem semelhante. Foi maravilhoso visitar os lugares citados no livro. Tudo existe de verdade.
O que foi mais difícil nas gravações em Taperoá? E o que o fascinou mais?
Difícil foi ficar isolado, sem ter notícia do mundo e ficar separado de quem amo. Foram três meses confinado, mas se não tivesse sido assim o resultado não seria o mesmo. Era uma concentração absurda. Me fascinou ter encontrado Luiz Fernando Carvalho, que me abriu a válvula para a imaginação, para liberar o inconsciente. Também vibrei por fazer uma obra de Ariano que foi lançada no ano em que nasci.
Foi seu primeiro contato com Ariano?
Não. Havia lido A iniciação à estética, livro que me fez querer entender a arte, me abriu a cabeça para a possibilidade de ser artista. Depois li as peças. Há um ano li A pedra do reino, nem sonhava com a série.
Qual sua ligação com Tuparetama e como imagina a recepção da série lá?
Minha família mora lá, por isso sempre visito a cidade no fim do ano. Sou o mesmo cara de lá, só que mais experiente, com mais possibilidades. E provavelmente agora com mais trabalhos. É claro que continuarei o mesmo, com os mesmos amigos. O bom é que minha família me verá atuando. Meus pais me viram aqui no Recife uma vez. Quero levá-los de novo ao teatro.
Tuparetama tem gosto de quê?
De pão com doce, que era o lanche da escola, e de buchada com pinga.
Você é jornalista. Sente falta de escrever?
Sempre gostei de escrever quadrinhas, poesia e recuperei isso agora com o personagem. Adolescente, queria ser um gênio da raça, sonhava com isso. Depois vi que escrever era uma tarefa heróica. Hoje ainda corro para os livros, esboço roteiros de curtas, muito mais como exercício de dramaturgia. Pretendo escrever ainda e dirigir.
A saudade do Recife é grande, ou já se acostumou com São Paulo?
Se pudesse, morava em todas as cidades do mundo. Sonhava muito isso quando era criança. Saía andando por todas as cidades do mundo, correndo, mas sempre acordava no meio do caminho, frustrado, triste por não ter visto todas elas. Quando estou em São Paulo, quero vir pra cá, morro de saudades dos amigos, das bibliotecas da UFPE, onde me perdia nos livros. Aqui, quero voltar correndo para lá.
Qual o seu cartão-postal do Recife?
O rio e a ponte, que levam direto para João Cabral (de Melo Neto). Fecho o olho e a imagem vem: aquela parte ali defronte ao São Luiz, onde vi cinema pela primeira vez.
Um desejo para 2007:
Muito trabalho, saúde e amor. Mais escolas e comida para as crianças também.
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Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
O carteiro trouxe hoje à tarde o presente de AMIGO SECRETO da brincadeira entre blogueiros mediada pelo SÍNDROME DE ESTOCOLMO.
Fui sorteado pela Liliana Bettina de Florianópolis.
O presente é essa belezura aí acima, com figuras do Boi de Mamão, folguedo tradicional do lugar.
Um grande beijo agradecido para Liliana e um ano novo supimpa!
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Segunda-feira, Janeiro 01, 2007
Mandacaru florado/ Tárcio Oliveira
Já é 2007. Vamos fazê-lo Novo, Bom, Florado.
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