|

|
|
Sexta-feira, Setembro 22, 2006
Seu rosto de felicidade quando eu chegava em casa..
Suas mãos miúdas e doces na minha cabeça...
Seu sorriso e seu beijo...: Meu menino chegou!!!
Nenhuma das muitas saudades que moram em mim é maior.
Aceita-se pitaco:
Sexta-feira, Setembro 22, 2006
Ontem foi DIA MUNDIAL SOBRE O MAL DE ALZHEIMER.
Pensei em publicar aqui alguns textos sobre a doença e algo sobre minha experiência como cuidador do meu pai (falecido há 2 anos) e da minha mãe, felizmente ainda ao meu lado.
Brinco dizendo que o mal de alzheimer é meu presente genético, de tão comum nas famílias paterna e materna de Seu Raimundo.
Acompanhar toda a evolução da doença e assistir impotente à destruição da personalidade e do físico de nossas pessoas queridas é uma prova terrível, cruel. Faço um esforço tremendo para lidar com o assunto e escrever sobre ele, praticamente esforço inútil porque o choro fala mais forte, vence qualquer tentativa de racionalidade.
Para não passar em branco essa data, POIS É IMPORTANTE QUE HAJA DIVULGAÇÃO E INFORMAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, recomendo o site da ABRAZ e colo este texto que veio pra mim num e-mail enviado por outros cuidadores...:
Carta de um portador de Alzheimer ao seu cuidador
Lembre-se de que sou uma pessoa consciente, portadora de
uma doença que compromete minha memória, minha linguagem
e meu raciocínio. Por isso, ajude-me a aceitar a
demência sem revolta e infelicidade.
Não perca a paciência se eu pedir a mesma coisa por mais
de uma vez. É a única maneira que tenho de dizer que eu
não lembro o que falei antes.
Eu não sou deliberadamente teimoso, mau, ingrato ou
desconfiado. A deterioração do meu cerébro faz com que
eu me comporte diferente do que eu gostaria.
Se eu tivesse um braço quebrado, você com certeza não
ficaria irritado comigo por estar impossibilitado de
fazer certas coisas, não é mesmo? Mas eu tenho um
cérebro que está a cada dia se deteriorando. Então, não
me culpe pelos efeitos que a doença de Alzheimer tem em
minha habilidade de executar certas tarefas.
Eu não esqueço as coisas com a finalidade de magoar, irritar,
embaraçar ou confundir. A doença me faz confuso e
desorientado.
Nove de dez vezes você está certo em me lembrar de algo,
vá em frente; por mais que eu demonstre constrangimento
ou me aborreça. Eu sei que preciso que me lembrem de
tudo.
Tenha senso de humor; ajuda a aliviar a carga dos meus
problemas, os quais, eu sei, muito sobrecarregam você;
ajude-me a rir dos percalços da minha doença para
diminuir nossas frustações conjuntas.
Não tire todas as responsabilidades de mim. Eu estou
vivo e quero estar incluído na sua vida e nas decisões
que têm de ser tomadas.
Não pense que estou insensível à sua vida. Sinto
dificuldade de verbalizar o que penso, concentrar-me no
que gostaria.
Não desista de mim. Me estimule sempre.
Não solucione todos os meus obstáculos. Isto somente me
faz perder os respeito por mim mesmo e por você.
Não me repreenda ou discuta comigo. Isso pode fazer você
se sentir melhor, mas só piora as coisas para mim; eu me
reprimo mais e me afasto mais das pessoas com receio de
errar sempre.
Não tenha vergonha de mim, não me esconda em casa.
Leve-me para passear, ver o sol nascer, o entardecer, o
eclipse, o jardim florido, as crianças na praça... eu
posso até não entender o que estou fazendo nos lugares,
mas com certeza SINTO: sinto as vibrações, a alegria, a
harmonia. Com certeza eu vejo a beleza do mundo que me
cerca.
Olhe-me nos olhos quando for falar comigo. Transmita-me
paz e serenidade.
Não fale de mim como seu eu não estivesse ali. Mantenha
minha dignidade.
Não zombe de mim quando eu fizer minhas confissões;
quando eu confundir os nomes dos filhos, do cônjuge, dos
netos, o local onde estou, quando eu me perder dentro de
minha própria casa. Lembre-se que eu preciso de ajuda e
compreensão. Por isso, conheça a doença para poder
entender o que eu passo e sinto.
Não me deixe sem amor e carinho. Eu sempre vou sentir
conforto e segurança quando você me beijar ou me
acariciar.
Você poderá se sentir sozinho quando a doença avançar,
mas saiba que não foi minha escolha ter demência. Por
isso não me abandone.
A natureza da minha doença me faz mudar de
personalidade; assim sendo, posso tornar-me uma pessoa
vil e indigna.
Quando estivermos reunidos e sem querer faça minhas
necessidades fisiológicas, não fique com vergonha e
compreenda que não tive culpa, pois já não posso
controlá-las.
Não me reprima quando não quero tomar banho; não me
chame a atenção por isto.
Quando minhas pernas falharem para andar, dê-me sua mão
terna para me apoiar.
Não fuja da realidade: eu tenho uma doença maligna.
Troque de papel comigo, para poder entender que o que eu
sinto é tão ou mais frustante do que você sente. Troque
de lugar comigo e conheça as minhas aflições por
esquecer minha história de vida e perder minha própria
identidade.
Não chore por mim... nem se deprima por ter que conviver
com um demente. Nós não escolhemos a demência. Tenha fé.
Eu choro sozinho por saber que estou limitado e por eu
ser fevorosamente (veemente) apegado em minha vida. Seja
você saudável. Basta eu de doente.
Não se sinta triste, enjoado ou impotente por me ver
assim. Dê-me em seu coração, compreenda-me e me apóie.
Por último, quando algum dia me ouvir dizer que já não
quero viver e só quero morrer, estiver em fase terminal
e vegetal, não se enfades. Algum dia entenderás que isto
não tem a ver com seu carinho ou o quanto te amei.
Trate de compreender que já não vivo, senão sobrevivo, e
isto não é viver.
Aceita-se pitaco:
Terça-feira, Setembro 12, 2006
LIQUIDAÇÃO
Você precisa de alguém pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu.
Erasmo Carlos
Aceita-se pitaco:
Terça-feira, Setembro 12, 2006
FESTA DO POETA ZÉ DANTAS EM CARNAÍBA-PE
Carnaíba, no sertão do Alto Pajeú, interior de PE, é considerada a terra da música. Em cada recanto do lugar, em cada esquina, há sempre um músico, um cantor, um tocador de talento e quase sempre anônimo.
O padroeiro dessa força cultural é cultuado e relembrado com festa há vários. Trata-se do filho mais ilustre de Carnaíba, o músico,poeta, compositor e folclorista Zé Dantas (José de Souza Dantas Filho/1921-1962), famoso pelas composições gravadas por Luiz Gonzaga.
A programação da festa deste ano é a seguinte:
DIA 13-Forronata
DIA 14-Orquestra Spok Frevo
DIA 15-Cowboys Fora-da-lei,Nadia Maia e banda
DIA 16-Dominguinhos,Elba Ramalho e Banda Feras.
Escute aqui algumas das melhores composições de Zé Dantas, na voz de Gonzagão.
Aceita-se pitaco:
Sábado, Setembro 09, 2006
Alma caridosa e bem versada na língua pátria deixou um recado (num tom quase cruel) para este matuto corrigir o mote dos comentários, pedindo a colocação da letra m.
Estava assim: Aceita-se pitacos.
O certo é: Aceitam-se pitacos
Então tá. Só pra ser meio malagradecido, eu deixo agora no singular. Tiro o s mas não coloco o m.
Agradeço o pitaco. Ô coisa triste é gente viver na ignorância!
Aceita-se pitaco:
Sábado, Setembro 09, 2006
detalhe de ilustração de Crumb
SEM SAÍDA
Li no Jornal do Commercio (PE) de hoje matéria que bem explica porque esse país não tem jeito: BRASILEIRO GASTA MAIS COM JOGO DO QUE COM EDUCAÇÃO.
Pelo IPCA de julho (IBGE) calculado com base nos gastos das famílias que recebem de um a 40 salários mínimos, despesas com jogo de azar e cigarro pesam mais na inflação do que a compra de livros, jornais, pagamento de cursos de idioma, técnico e de informática.
Como diz Alex Agostini, economista chefe da Austin Rating, na matéria, "as pessoas se preocupam mais com supérfluos do que com o desenvolvimento intelectual". Esse imediatismo anula qualquer perspectiva de futuro melhor para o país.
Aceita-se pitaco:
Sábado, Setembro 09, 2006
Eita que a gente tá precisando de uma ação dessa aqui no Pajeú :
Foram publicadas no Diário Oficial de 06/setembro mais 33 recomendações aos prefeitos e presidentes das Câmaras de Vereadores de todos os municípios da Região Metropolitana do Recife e da Zona da Mata pernambucana.
Os gestores têm 90 dias para exonerarem espontaneamente parentes de agentes políticos ou membros de poder que atualmente ocupem cargos públicos irregularmente.
A iniciativa dá prosseguimento à ação estadual de combate ao nepotismo, deflagrada pelo MPPE no último dia 5.
Aceita-se pitaco:
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO.
Não qualquer um, não desses bissextos que se vestem de verdamarelo pra Copa de 4 em 4 anos.
Desses raros, prata da casa, como Nelson Rodrigues.
Reler Nelson, mesmo em gotas, é minha celebração do Dia da Pátria.
O brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo
em coisa nenhuma. Ser o maior do mundo em qualquer coisa,
mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e
sufocante responsabilidade.
- O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já
o desumaniza. Por exemplo: um ministro. Não é nada, dirão.
Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse
algodão por dentro, e não entranhas vivas.
- Assim como há uma rua Voluntários da Pátria, podia haver uma
outra que se chamasse, inversamente, rua Traidores da Pátria.
- Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em
quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
Extraídas do livro Flor de Obsessão (Ruy Castro)- Cia.
das Letras - São Paulo
Aceita-se pitaco:
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
SABES CANTAR?
Nordeste Independente
Composição: Bráulio Tavares/Ivanildo Vilanova
Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Dividido a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria senador
O cassado de roça era suplente
Cantador de viola o presidente
E o vaqueiro era o líder do partido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
Asa Branca era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
O Brasil ia te de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar
O arroz, o agave do luar
A cebola, o petróleo, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam
Porque nosso povo não é besta
Hino Nacional Brasileiro
Música de Francisco Manoel da Silva
Letra de Joaquim Osório Duque Estrada
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida no teu seio mais amores.
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
HINO DA INDEPENDÊNCIA
Letra: Evaristo da Veiga
Música: D. Pedro I
Já podeis da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade,
Já raiou a liberdade,
No horizonte do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa...
Zombou deles o Brasil;
Houve mão mais poderosa
Houve mão mais poderosa
Zombou deles o Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Não temeis ímpias falanges
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil;
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Parabéns, ó! brasileiros!
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Aceita-se pitaco:
Terça-feira, Setembro 05, 2006
Do Mentor, por e-mail:
Quando assisto a um bom filme, durante a exibição, tenho vontade de comentá-lo com você. Assisti, nos últimos 15 dias, a dois filmes excepcionais: O espanhol O que você faria? e o francês O tempo que resta.
( O que você faria? El Método, Espanha-Argentina-Itália/2005, 115 min.)
O que você faria, do diretor argentino Marcelo Piñeyro, com o belo ator espanhol Eduardo Noriega - ator do excelente Plata Quemada, do mesmo diretor. Baseado numa peça teatral de um autor catalão, é assustador.
Melhor do que qualquer comentário que eu poderia fazer, segue abaixo uma crônica sobre o filme, que li em um blog político
Com relação ao ator espanhol Eduardo Noriega, além de belo, e excelente ator, ele é engajado: recusou construir uma carreira de galã - seu tipo físico é adequado para esse papel - e é extremamente rigoroso na escolha de seus filmes.
Um nome idiota para um filme bom, forte. O argumento é retirado de uma peça teatral (sucesso na Espanha e Portugal) do catalão Jordi Galcerán, chamada O Método Grönholm. Acabou resultando num filme que resume o microcosmo do mundo globalitário em que vivemos. Alguém disse que é uma polaroid dos nossos dias. Um instantâneo com doses maciças de darwinismo social e servidão voluntária. Trata-se de um grupo de sete candidatos ao cargo de diretor financeiro de uma grande empresa multinacional, e que, para habilitarem-se à única vaga em disputa, cometem as maiores baixezas, não sem um doce sorriso nos lábios. O ambiente é claustrofóbico mas limpo (foto), como convém aos executivos de grandes business. Para agravar, há entre os sete disputantes alguém plantado pelo RH da empresa para observá-los e promover a perfeita interação (ou seria encarniçamento) no grupo. Mais: fica sugerido que estão sendo observados por câmeras e microfones ou não. Travam-se lutas verbais e os perdedores vão sendo eliminados por uma mão invisível que desliga a tela do monitor do usuário-candidato. O método consiste em mostrar ao empregador que o futuro empregado será uma pessoa servil, disposta a tudo pela empresa, inclinado a abdicar dos seus valores mais caros, e até mesmo eliminar os obstáculos (humanos ou não, daí o darwinismo onde vence o mais forte) para lograr êxito nos empreendimentos do negócio. Fica-se sabendo que os métodos de seleção de pessoal foram originalmente criados pelo exército alemão para a promoção de seus oficiais no período anterior à Primeira Guerra, e que depois foram adotados pelos exércitos britânicos e norte-americanos. Os métodos de guerra acabaram sendo adequados e assimilados pelos departamentos de RH de grandes multinacionais. O business seria uma guerra por outros meios? É o que se conclui. A câmera do diretor argentino Marcelo Piñeyro fica quase todo o tempo na mesma sala (ao fundo, se ouve bossa nova e Caetano), exceto quando sai captando o ruído ensurdecedor de protestos de massa contra o FMI e o Banco Mundial. É que na cidade Madri acontece uma reunião de cúpula desses organismos símbolos do capitalismo atual. O movimento altermundista emite o grito dos excluídos. E um dos candidatos manifesta ignorância sobre o que está ocorrendo. Alienação galopante. A tradução é péssima, assim como o título em português; insiste em traduzir protesta por greve. Uma inversão absurda, protesta sugere movimento, greve sugere paralisação. No final, uma das protagonistas derrotadas caminha por ruas desertas de gente e coalhadas de escombros, carros fumegantes, etc. Nas paredes cartazes silenciosos anunciam que um outro mundo é possível.
O tempo que resta - Filme do diretor francês François Ozon. Mesmo diretor do belo O amor em cinco tempos.
Saí do cinema, sozinho, sem respiração.
Um jovem fotógrafo de sucesso - 31 anos -, homossexual, descobre que está com uma doença terminal - não, não é AIDS -, e decide não realizar nenhum tratamento, pois o médico lhe diz que as possibilidades de cura são remotas.
E toma algumas atitudes extremadas: abandona o emprego, tem uma briga com a irmã, durante um jantar na casa dos pais e termina o relacionamento com o namorado de uma forma cruel e agressiva, sem possibilidade de retorno.
Após alguns dias, pega o carro e vai visitar a avó octagenária - Jeanne Moreau, magnífica. Sua participação no filme dura, no máximo, 10 minutos, mas é fundamental. Ao ver Jeanne Moreau, idosa, lembrei-me dela no filme Jules e Jim, jovem e bela, que mexeu com a cabeça de muitos jovens na década de 60 -, para contar que tem poucos meses de vida. A avó ao perguntar ao neto por que tinha escolhido ela para contar da gravidade da doença, respondeu porque ela, assim como ele, estavam próximos da morte.
Ao retormar a Paris, da casa da avó, resolve retomar as coisas simples da vida: pede desculpas à irmã, senta-se em um banco na praça, passa a fotografar as pequenas rotinas dos anônimos na ciadade e tomar um simples sorvete.
Cenas que só o cinema europeu, e o francês especificamente, têm a coragem de abordar, sem preconceitos e sem o moralismo do cinema americano: Na viagem de ida à casa da avó, o fotógrafo pára em uma lanchonete e a garçonete que o atende, começa uma conversa, meio que se insinuando a ele, que gentilmente desconversa.Ao retornar da casa da avó, passa novamente na lanchonete, e vê a garçonete chegar e beijar o dono do estabelecimento.Em seguida a garçonete chega até ele e explica que o dono da lanchonete é seu marido, que estiveram conversando, ela e o marido, gostaram dele, e como o marido é estéril, se não seria possível, eles manterem uma relação para que ela consiga engravidar.
Ele recusa de imediato. Retorma a Paris.
Repensando no assunto e refletindo sobre o fato de não deixar herdeiros, retorna à lanchonete e aceita transar com a garçonete.
A seguir aparece os três na cama: o marido, vestido, aguardando a chegada do fotógrafo, a garçonete semi-nua e em seguido o fotógrafo com um roupão. Ele deita é fala algo no ouvido da garçonete, que repassa ao marido: provavelmente revela que é homossexual, que não conseguiria efetivar a relação, sem a participação do marido.
Cena seguinte: os três estão nús, e o marido participa do jogo, para que a situação tenha uma conclusão positiva.
O final do filme é um dos mais belos e poéticos que já assisti.
***
Quem pode ver, veja. Eu que não tenho como, vejo pelos olhos do Mentor.
***
Aceita-se pitaco:
Segunda-feira, Setembro 04, 2006
Atendendo à corrente de comadre Mariana, para que nenhuma quizila me atormente, seguem abaixo 8 coisas sobre Raimundo Pajeú.
A corrente eu não repasso porque quase todo mundo da bloguesfera (hugh que nome feio!) que eu conheço já fez essa lista. Mas em compensação deixei uma corrente novinha aí abaixo, no post anterior.
1-Eu me beijo no espelho
2-Eu peido na frente dos amigos
3-Bebida preferida: café forte adoçado com rapadura
4-Nunca tomei um pileque
5-Andei descalço até os 10 anos
6-Nunca consegui terminar de ler OS SERTÕES; chorei até quase adoecer lendo o conto do burrinho de SAGARANA.
7-Já quis entrar para um seminário, mas desisti quando me dei conta da quase total impossibilidade de ser Papa.
8-Eu tenho inveja de Marília Gabriela.
Aceita-se pitaco:
Segunda-feira, Setembro 04, 2006
CORRENTE DAS 12 COISAS PARA FAZER NO SUPERMERCADO
O texto eu li no Orkut e não resisti. Trouxe pra cá.
Daria uma boa corrente de blogs, enviar para os amigos e pedir que eles escolham pelo menos um item para fazer e relatar o resultado.
Eu vou arriscar pra ver se dá certo ( ou se alguém tem coragem e senso de humor para tanto) passando para 3 damas que visitam este blog: Mariana, Vanessa e Fabiana (espero não ter errado de endereço) e para dois leitores amigos: Maciel Carneiro e Harif.
É em retribuição à corrente repassada por Mariana e respondida no post seguinte.
Sendo assim, Vaca amarela cagou na panela, quem quebrar a corrente come toda bosta dela!
1. Pegar caixas de preservativos e por em vários carrinhos aleatoriamente, quando a pessoa estiver distraída.
2. Programar os despertadores para tocarem de 5 em 5 minutos.
3. Fazer um rasto com molho de tomate até o banheiro.
4. Abordar um funcionário e dizer Código vermelho na sessão de vinhos... e ver o que ele faz!
5. Ir ao apoio a clientes e perguntar se podem reservar um pacote de M&Ms.
6. Montar uma tenda na seção de camping, dizer aos outros clientes que vai passar a noite por lá. Convencer as pessoas atraentes a trazerem almofadas da seção têxtil e juntarem-se a você.
7. Quando um funcionário te perguntar se você precisa de ajuda, começar a chorar gritando: Porque é que vocês não me deixam em paz?!?!!?!?
8. Encontrar uma câmara de vigilância e usá-la como espelho enquanto tira catotas do nariz.
9. Procurar uma faca de trinchar bem afiada. Levá-la consigo durante todo o percurso das compras e ir perguntando aos funcionários se ali vendem anti-depressivos.
10. Deslizar pela loja com um ar suspeito, cantando o tema do filme Missão Impossível.
11. Quando alguém anunciar seja o que for no altofalante, deitar-se no chão, em posição fetal, e gritar : NÃÃÃO! As vozes! Outra vez as vozes!
12- Ir ao provador de roupa. Fechar a porta, aguardar um minuto e depois gritar: Onde é que está o papel higiênico?Huh!
Aceita-se pitaco:
|