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Domingo, Julho 30, 2006
a saudade da infância cochichou hoje à tarde esses versinhos que a gente dizia brincando:
Hoje é domingo, pede cachimbo
o cachimbo é de barro, bate no jarro
o jarro é de ouro e de chifre de touro
o touro é valente, bate na gente
a gente é fraco, cai no buraco
o buraco é fundo, acaba-se o mundo
e cadê Seu Raimundo?
Aceita-se pitacos:
Domingo, Julho 30, 2006
Qualquer pessoa com o mínimo de tino sabe que não há político honesto, ou, para melhor expressão, que honestidade e política brasileira não se misturam assim como água e óleo.
Em todo caso, vai que mais uma vez você se disponha a votar com boas intenções em outubro, nem que seja a intenção do dever cívico. (Pausa para boas risadas).
Estando você incluído(a) neste seleto grupo, poderá conseguir informações sobre os deputados que se envolveram em processos de corrupção, ou que estão respondendo a outros tipos de processos na justiça no site da ONG Transparência Brasil.
A lista negra dos deputados estará disponível a partir de 01 de agosto.
Aceita-se pitacos:
Domingo, Julho 30, 2006
POR QUE VOTAR?
Texto de STEPHEN J. DUBNER e STEVEN D. LEVITT*
Nos departamentos de economia de certas universidades, circula uma
história famosa, mas provavelmente apócrifa, sobre dois economistas
de renome mundial que se encontraram quando se preparavam para
depositar seus votos na urna eleitoral.
O que você faz aqui?, perguntou um deles.
A minha mulher mandou que eu viesse, respondeu o outro.
O primeiro balançou a cabeça em sinal de que entendera. Comigo
ocorreu o mesmo.
Após um momento mutuamente constrangedor, um deles concebeu um
plano: Se você prometer que nunca dirá a ninguém que me viu aqui,
eu prometo também jamais contar que te vi neste local. Eles deram
um aperto de mão, cumpriram a sua tarefa de eleitores e deram o
fora.
Por que um economista ficaria embaraçado por ser visto em um local
de votação? Porque a votação implica um custo em tempo, esforço e
perda de produtividade, sem nenhum retorno discernível, exceto,
talvez, por alguma sensação vaga de cumprimento do dever cívico.
Conforme a economista Patricia Funk escreveu em um trabalho recente,
Um indivíduo racional deveria se abster de votar .
A possibilidade de que o seu voto venha realmente a afetar o
resultado de uma determinada eleição é extremamente remota. Isso foi
documentado pelos economistas Casey Mulligan e Charles Hunter, que
analisaram mais de 56.000 eleições parlamentares federais e
estaduais realizadas nos Estados Unidos desde 1898.
Apesar de toda a atenção dada pela mídia às eleições muito
disputadas, a verdade é que tais eleições são bastante raras. A
vantagem média das vitórias nas eleições para o Congresso é de 22%,
e para as assembléias estaduais de 25%. Até mesmo nas eleições mais
apertadas, um voto individual quase nunca é crucial para decidir a
disputa.
Dentre as mais de 40 mil eleições parlamentares estaduais analisadas
por Mulligan e Hunter, envolvendo mais de um bilhão de votos,
somente sete eleições foram decididas por um único voto, e apenas
duas terminaram empatadas. Dentre as mais de 16 mil eleições para o
Congresso, nas quais um número bem maior de eleitores vota, somente
uma eleição nos últimos cem anos --uma disputa eleitoral em Buffalo,
no Estado de Nova York, em 1910-- foi decidida por um único voto.
Mas há uma questão mais importante: quanto mais disputada for uma
eleição, maior é a probabilidade de que o seu resultado não dependa
dos eleitores. Este exemplo ficou mais patente, é claro, na eleição
presidencial dos Estados Unidos de 2000. É verdade que o resultado
daquela eleição acabou sendo decidido por um punhado de eleitores.
Mas os nomes destes foram Kennedy, O'Connor, Rehnquist, Scalia e
Thomas [juízes da Suprema Corte dos EUA, que decidiram que os votos
da Flórida não deveriam ser recontados, o que deu a vitória a George
W. Bush]. E foram apenas os votos dados por eles enquanto usavam as
suas túnicas de juízes federais que tiveram importância, e não
aqueles que depositaram nas urnas como cidadãos comuns.
Mesmo assim, as pessoas continuam votando aos milhões. Por que? Eis
aqui três possibilidades:
1. Talvez nós simplesmente não sejamos muito espertos e, portanto,
acreditemos erroneamente que os nossos votos afetarão o resultado
final.
2. Talvez votemos com o mesmo espírito de quem compra bilhetes da
loteria. Afinal, as nossas chances de ganhar na loteria ou de afetar
o resultado eleitoral são bastante similares. Sob uma perspectiva
financeira, jogar na loteria é um mau investimento. Mas é algo
divertido e relativamente barato: pelo preço de um bilhete
adquire-se o direito de construir fantasias sobre como gastar o
dinheiro da premiação de forma semelhante à nossa fantasia de que
o nosso voto terá algum impacto sobre a política.
3. Talvez tenhamos sido socializados em torno da idéia do
voto-como-um-dever-cívico, acreditando que, se as pessoas votarem,
estarão fazendo uma boa ação para a sociedade, ainda que tal ação
não seja particularmente boa para o indivíduo. E, assim, nos
sentiríamos culpados por não votar.
Mas, espere um minuto, diria você. Se todo mundo pensar no voto à
maneira dos economistas, poderemos terminar não tendo eleição
alguma. Nenhum eleitor compareceria às urnas acreditando realmente
que o seu voto individual afetaria o resultado da eleição, não é
mesmo? E não seria uma crueldade até mesmo sugerir que o voto do
eleitor é completamente inútil?
Eis realmente uma questão intrigante, um comportamento individual
aparentemente sem sentido, que, quando agregado a outros
semelhantes, se torna bastante significativo. Eis um exemplo similar
revertido. Imagine que você e a sua filha de oito anos caminham por
um jardim botânico quando, subitamente, ela arranca um belo botão de
uma árvore.
Você não deveria fazer isso, diz você à criança.
Por que não?, pergunta ela.
Bem, porque se todo mundo arrancar uma flor, não restará flor
alguma, argumenta você.
Sim. Mas ninguém mais está arrancando flores, diz ela com um olhar
expressivo.Somente eu.
Nos velhos tempos havia incentivos mais pragmáticos para que o
eleitor votasse. Os partidos políticos pagavam regularmente US$ 5 ou
US$ 10 aos eleitores para que estes depositassem o voto correto
nas urnas. Às vezes tal pagamento era efetuado na forma de um
pequeno barril de uísque, uma saca de farinha de trigo, ou, no caso
de uma eleição congressual em New Hampshire, em 1890, um porco vivo.
Hoje, como naquela época, muita gente se preocupa com o baixo
comparecimento do eleitorado às urnas somente um pouco mais da
metade dos eleitores participou da última eleição presidencial
norte-americana, mas poderia valer mais a pena virar este problema
de ponta-cabeça e, em vez disso, formular uma pergunta diferente:
considerando que o voto de um único indivíduo quase nunca tem
importância, por que então tanta gente ainda se dá ao trabalho de
votar?
A resposta pode estar na Suíça. Foi lá que Patricia Funk descobriu
um maravilhoso experimento natural que permitiu que ela fizesse uma
avaliação precisa do comportamento do eleitor. Os suíços adoram
votar nas eleições parlamentares, nos plebiscitos, ou em qualquer
outra oportunidade que se apresente. Mas a participação do eleitor
começou a diminuir no decorrer dos anos (talvez lá os políticos
também tenham deixado de fornecer porcos vivos), de forma que se
criou uma nova opção: o voto pelo correio.
Enquanto que nos Estados Unidos todo eleitor precisa se registrar,
na Suíça a situação é diferente. Todo cidadão suíço recebe
automaticamente uma cédula pelo correio, que, a seguir, pode ser
preenchida e enviada à Justiça Eleitoral, também pelo correio.
Sob a ótica de um cientista social, existe beleza na montagem desse
esquema de votação postal. Devido ao fato de ele ter sido
introduzido nos diferentes cantões (os 26 distritos semelhantes a
Estados que compõem a Suíça) em anos distintos, foi possível
realizar uma mensuração sofisticada dos efeitos da medida no
decorrer do tempo. Nunca mais nenhum eleitor suíço precisou marchar
até as urnas debaixo de uma chuva torrencial. O custo do voto
individual foi significativamente reduzido. Portanto, um modelo
econômico preveria que a participação do eleitor aumentaria
substancialmente. Foi isso o que aconteceu?
De jeito nenhum. Na verdade, com freqüência, a participação do
eleitor diminuiu, especialmente nos cantões menores e nas pequenas
comunidades. Essa descoberta pode ter sérias implicações para
aqueles que defendem a votação pela Internet que, há muito tempo
se argumenta, tornaria a votação mais fácil e, portanto,
incrementaria a participação do eleitor. Mas o modelo suíço indica
que a verdade pode ser exatamente o contrário.
Mas, por que as coisas ocorrem dessa forma? Por que um número menor
de pessoa votaria quando o custo da votação fosse reduzido?
A resposta tem a ver com os incentivos subjacentes à votação. Se um
determinado cidadão não enxerga a possibilidade de o seu voto afetar
o resultado eleitoral, por que então ele se importaria?
Na Suíça, e também nos Estados Unidos, existe uma norma social
bastante forte, determinando que um bom cidadão comparece às urnas,
escreveu Funk.
Enquanto a votação nas urnas tradicionais era a única opção
possível, havia um incentivo (ou pressão) para o comparecimento do
eleitor, apenas para que este fosse visto a votar. A motivação
poderia ser uma esperança de contar com estima social, benefícios
pelo fato de ser visto como um cooperador, ou simplesmente uma
tentativa de evitar ser alvo de sanções formais. Como nas
comunidades pequenas as pessoas conhecem melhor umas as outras e
fazem fofocas sobre quem cumpriu ou não com os seus deveres cívicos,
os benefícios advindos da aderência à norma são particularmente
elevados nesse tipo de comunidade.
Em outras palavras, nós votamos devido ao interesse pessoal uma
conclusão que satisfará aos economistas, mas não necessariamente
devido ao mesmo auto-interesse expresso na escolha que fazemos na
cédula eleitoral.
Apesar de toda essa história a respeito de como as pessoas votam
com o bolso, o estudo suíço sugere que o que pode nos impelir a
votar é mais um incentivo social do que financeiro. É bem possível
que o lucro mais valioso obtido com o voto seja o fato de o eleitor
ser visto pelos seus amigos ou companheiros de trabalho no local de
votação.
A menos, é claro, que você seja um economista.
Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores do livro
Freakonomics: O Lado Oculto e
Inesperado de Tudo que nos Afeta.
Tradução: Danilo Fonseca
A bem da verdade eu li este texto e, como dizia meu colega Genivaldo, entendi mas não me pergunte qual parte. Eu sei, sou uma jumenta quadrada quando o assunto é economia. E economia + política, então? Mas, como eu vivo procurando uma desculpa séria e inteligente para fugir de compromissos inúteis (batizado, casamento, reunião de trabalho, votação... ) vou insistir na releitura...
Aceita-se pitacos:
Domingo, Julho 30, 2006
Há 100 anos ganhávamos um presente chamado QUINTANA
A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor
entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso,
a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi
propriamente dita.
Citação 2
E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos
Machado de Assis: A dispersão não lhes tira a unidade, nem a
inquietude a constância.
Contradições
... mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é
uma criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória,
isto é, verdadeira.
E por isso, é que o bom de escrever teatro é que se pode
dizer, como toda a sinceridade, as coisas mais opostas.
Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.
Destino Atroz
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente,
depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os
seus versos.
Dos Leitores
Há leitores que acham bom o que a gente escreve. Há outros que
sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje
não pude saber qual das duas espécies irrita mais.
Dos Livros
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam,
outros que esgotam os leitores.
Fatalidade
O que mais enfurece o vento são esses poetas invertebrados que
o fazem rimar com lamento.
Poema
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus
poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos...
Ressalva
Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como
se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.
Tempo
Coisa que acaba de deixar a querida leitora um pouco mais
velha ao chegar ao fim desta linha.
Extraídos do livro Do Caderno H, Editora Globo, meu primeiro contato com a obra de Mário Quintana. O livro peguei na já extinta biblioteca da MOBRALTECA ( alguém aí ainda lembra do MOBRAL?) que eu freqüentava todas as tardes da minha pré-adolescência, acompanhando o trabalho de Tia Terezinha.
Aceita-se pitacos:
Sábado, Julho 29, 2006
Não bastasse elas serem mais inteligentes,
mais sensíveis,
mais competentes,
mais corajosas,
mais resistentes à dor,
mais organizadas,
mais determinadas,
mais preparadas para governar,
mais generosas,
mais beneficiadas esteticamente....
Agora as estatísticas comprovam que elas MORREM MENOS que a gente.
Nossa única vantagem continua sendo a de não sentir cólicas menstruais
Aceita-se pitacos:
Sábado, Julho 29, 2006
No tocador de Seu Raimundo tá rodando com gosto essa moça.....
Aceita-se pitacos:
Sexta-feira, Julho 28, 2006
MEU FILHO DEUS TE LIVRE DA PIOR RAÇA DE GENTE, OS FALSOS AMIGOS.
Assim falou minha avó.
Foi pela traição de um amigo - pelo menos esta é a versão mais aceita - num 28 de julho, quando estava com 41 anos de idade, que nosso maior herói/bandido teve seu encontro definitivo com a indesejada das gentes.
O ano, 1938.
Naquele 28 de julho Lampião acampou com seu bando na fazenda Angicos, sertão de Sergipe.
O esconderijo era tido por eles como o de maior segurança.
Caiu a noite e chovia. Enquanto todos já dormiam a volante se aproximou de mansinho e cercou o local .
Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.
O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte.
Dos 34 cangaceiros presentes, 11 morreram ali mesmo.
Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida.
Bastante eufóricos com a vitória, os policiais saquearam e mutilaram os mortos. Roubaram todo o dinheiro, o ouro e as jóias.
Em seguida deceparam a cabeça de Lampião.
Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada.
O mesmo ocorreu com Quinta-Feira e Mergulhão: tiveram suas cabeças arrancadas em vida.
Feito isso, salgaram os seus troféus de vitória e colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal.
Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto para servirem de alimento aos urubus.
Percorrendo as cidades sertanejas, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas para aquele circo de horrores.
Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno aos seus parentes. O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.
Aceita-se pitacos:
Domingo, Julho 23, 2006
O CARÃO, esta ave tão profeta,
habitante das matas do sertão,
sentiu falta da chuva no rincão,
ficou triste a sofrer como um poeta,
sem cantar sua vida é incompleta,
o fantasma da seca lhe apavora,
pesaroso partiu fora de hora,
antevendo um futuro tão sombrio;
O CARÃO QUE CANTAVA EM MEU BAIXIO
TEVE MEDO DA SECA E FOI EMBORA.
ANTÔNIO DE CATARINA
****
O cantador repentista
em todo ponto de vista,
precisa ser um artista
de fina imaginação,
para dar capricho à arte
e ter nome em toda parte,
honrando o grande estandarte
dos oito pés de quadrão !
***
Meus filhos são passarinhos
que vivem dos meus gorjeios;
eu, para encher os seus papos,
caço grãos em chãos alheios
e só boto um grão no meu
quando vejo os deles cheios...
***
Cantador pra mim só é
se nasceu pra versejar,
como XUDU do Pilar,
MARINHO de São José,
PATATIVA do Assaré,
SILVINO da Imaculada,
um BINLINGUIN de Queimada,
JOÃO PRETO de Serraria.
Aposentei-me em POESIA,
concluí minha jornada.
***
Não posso suportar mais
na vida tantas revoltas...
Prazer, por que não me buscas ?
Mágoas, por que não me soltas ?
Presente, por que não foges ?
Passado, por que não voltas ?
LOURIVAL BATISTA PATRIOTA
Aceita-se pitacos:
Sábado, Julho 22, 2006
É da janela da minha
Tristeza que me debruço
Para ver o mundo.
Da minha pequena
Janela estreita.
Vejo pouco, mas sofro
O que vejo e, quanto
Mais o ver é intenso
Maior se faz o mundo
Nela assisto sempre,
Ao grande desfile
Da gente do meu tempo
E doutros já passados;
E, quando quero fechar
A janela para o mundo
Mais no seu umbral
Fico crucificado.
Maximiano Campos
Aceita-se pitacos:
Sábado, Julho 22, 2006
Sem cinema, a gente fica aqui no Pajeú à espera dos DVDs piratas.
Quisera eu ter tempo e dinheiro para estar em Recife, em agosto, pra ver o filme ZUZU ANGEL.
Só podemos esperar dele grandes emoções: a história, a atriz, a nova gravação de Chico para sua Angélica (disponível no sítio do filme)...
Guilherme Fiúza, do NO MÍNIMO, escreveu assim do que viu na pré-estreia:
Em tempos de mensalão e sanguessugas, é difícil lembrar que política e poesia podem andar juntas. Mas podem. A prova está em Zuzu Angel, filme de Sérgio Rezende sobre a estilista morta na ditadura militar.
E quando se fala em cruzamento de política e poesia no Brasil, se fala também de Chico Buarque de Hollanda. O filme deixou o compositor em estado de comoção profunda, que o fez gravar uma versão dilacerante, definitiva, de Angélica (Quem é esta mulher que canta sempre esse estribilho/ só queria embalar meu filho/ que mora na escuridão do mar).
A nova versão da música composta por Chico para Zuzu encerra o filme como um soco. Numa interpretação mais lenta, e por incrível que pareça (após trinta anos da morte da estilista) mais sentida, Chico deu um fecho à obra de Sérgio Rezende que vai chapar os corações nas poltronas. Não dá para não chorar.
A viagem emocional do compositor ao reviver a história dramática de Zuzu o fez destrancar as lembranças da época. Em conversas com a equipe do filme, Chico recordou o grau de paranóia a que se chegou nos anos de chumbo. E contou a atitude insólita que se viu tomando por causa dessa paranóia.
Como se sabe, antes de morrer, Zuzu Angel entregou a Chico Buarque uma carta. Dizia nela que se alguma coisa lhe acontecesse, teria sido obra dos assassinos de seu filho, Stuart Angel Jones ¿ vítima do regime militar, que agora perseguia a estilista, por sua cruzada para denunciar o desaparecimento do filho. Chico contou que as cópias da carta que distribuiu aos jornais (nunca publicadas) foram datilografadas por ele, uma por uma, numa velha Olivetti.
Depois de encaminhá-las, ele olhou para sua máquina de escrever e teve um mau pressentimento. Teve certeza de que os homens da repressão seriam capazes de identificar, pela tipologia da carta, a origem dela nas teclas da sua Olivetti. Precisava, então, livrar-se da máquina, mas qualquer lixeira no quarteirão também poderia incriminá-lo.
Chico Buarque entrou em seu carro e dirigiu por mais de uma hora até o topo da serra de Petrópolis. Estacionou no acostamento, onde a ribanceira lhe parecia mais íngreme, profunda e fechada pela mata. Retirou a máquina de escrever envolta numa sacola e arremessou-a, o mais rápido que pôde, no precipício. Essa pista nem a CIA conseguiria farejar.
Zuzu Angel tocou Chico Buarque porque é um filme com alma. Alma, no caso, significa capturar o espírito da época e transmiti-lo sem clichês ou exageros dramáticos. Patrícia Pillar e Sérgio Rezende viveram uma parceria histórica. Patrícia não é um retrato de Zuzu Angel. Ela encarna uma Zuzu Angel, a Zuzu que Sérgio imaginou, e que provavelmente serve muito mais à história da personagem original do que serviria uma reconstituição dela ao pé da letra.
Fora a cena inicial, em que a protagonista fala sozinha, ou pensa alto, para se apresentar ao espectador, a atriz domina o filme com uma interpretação antológica. Quem andava aborrecido com personagens históricos inverossímeis no cinema, como a novelesca Olga Benário de Camila Morgado, pode ir tranqüilo ver Patrícia Pillar dar sua aula de verdade.
Verdade temperada com poesia. A cena subaquática de Zuzu e seu filho Stuart, reunidos numa imagem delirante, quase surrealista, foi a forma mais genial que Sérgio Rezende poderia ter achado para mostrar a mãe embalando seu filho na escuridão do mar (o corpo de Stuart foi lançado no oceano e nunca reapareceu).
Depois, é o filho já morto que vem embalar a mãe, pegando-a no colo em outra cena alegórica, e aliviando-a das culpas e remorsos comuns a toda mãe que perde um filho. (Esta cena foi gravada dez vezes. Patrícia dizia que não estava conseguindo reencontrar a emoção que alcançara no ensaio. Sérgio rodou todos os takes pedidos pela atriz, e ao final da maratona lhe disse que ela estava perfeita desde o primeiro).
A água domina o mergulho poético de Zuzu. Sérgio Rezende não se preocupa tanto com a narrativa convencional da escalada da tortura contra Stuart e da cruzada da estilista em busca do paradeiro do filho. Prefere se concentrar em cenas como a de Zuzu recebendo a longa carta que a informa da morte de Stuart. A leitura em off da carta, com os detalhes da via crucis de seu filho, se funde com flashes da tortura bárbara sofrida por ele e com imagens da própria Zuzu submersa numa banheira, como se afogasse o seu desespero, ao saber que o corpo do filho sumiu no mar.
Zuzu Angel abre mão do didatismo político para se concentrar no drama humano de uma mãe. É, justamente por isso, um filme político.
Ao ver que não está numa aula de história do Brasil, o espectador baixa a guarda da emoção e sai do cinema com aquela sensação de isto aconteceu no meu país. É nessas horas que a arte pode provocar o despertar cívico. A esperança, mesmo torturada pelo cinismo, ainda é a última que morre.
Aceita-se pitacos:
Sexta-feira, Julho 21, 2006
Gostei deveras dessa campanha da PARADA DO RIO.
Quem sabe um dia a gente faz uma aqui no sertão...
Aceita-se pitacos:
Sexta-feira, Julho 21, 2006
O nome deste vazio na minha boca
e desta poeira no meu peito
é SAUDADE DE BEIJO APAIXONADO.
Aceita-se pitacos:
Sexta-feira, Julho 21, 2006
ACABEI DE OUVIR.
PELA 2ª VEZ.
Acho que gosto desses meninos...
Aceita-se pitacos:
Domingo, Julho 16, 2006
Sempre me perguntei, desde as primeiras lições de História do Brasil na sala de aula, porque Tiradentes foi o escolhido, dentre tantos que tivemos, como mártir da luta pela independência do Brasil. Porque 21 de abril é feriado nacional e não outras datas mais significativas?
Não é de hoje que nossa gente tem memória curta e pouca consideração por sua História; não é de hoje que a elite nacional manipula esses ingredientes de acordo com suas conveniências.
Por isso acabei de ler com grande satisfação o livro A IDEIA REPUBLICANA NO BRASIL, co-edição do Ministério da Educação e da Fundação Joaquim Nabuco, de 1990, reunindo uma série de pronunciamentos e artigos do Major pernambucano José Domingues Codeceira a propósito da exaltação da Inconfidência Mineira como símbolo da luta republicana, em detrimento da história e do pioneirismo dos pernambucanos.
Na apresentação do livro, o jornalista Leonardo Dantas já esclarece a injustiça:
Proclamada a República, eis que os guardiões das tradições libertárias de Pernambuco esperaram um melhor tratamento dos responsáveis pela preservação da memória histórica da Pátria Brasileira. Por cultuar um ideário nativista desde os tempos da guerra contra a Holanda (1630-1654), quando, sozinhos, lutaram contra as bem municiadas e adestradas tropas da Companhia das Índias Ocidentais e por sua participação nos movimentos libertários de 1710, 1817, 1824 e 1848, os nascidos em Pernambuco se julgam diferenciados dos habitantes das demais províncias. O seu território mutilado, a memória de sua gente e o sangue dos seus mártires estavam a reclamar um melhor tratamento pelos, então, dirigentes da República Federativa que se desejava implantar.
(***)
Os titulares da nova ordem, preocupados com a estabilização do regime, fizeram-se de surdos aos clamores, preferiram ignorar as razões do Direito para não tomar conhecimento dos clamores dos pernambucanos .Nos mapas que o mutilaram, para fixar a imagem do poeta João Cabral, Pernambuco foi condenado a permanecer horizontal pagando pelo crime de ter sido republicano bem antes das demais províncias.
Os brios dos pernambucanos, porém, não puderam suportar quando o Governo Provisório da República resolveu, em 1890, através de um decreto, considerar como data nacional o 21 de abril consagrado à comemoração dos precursores da independência brasileira resumidos em Tiradentes.(***)
Daí vieram os pronunciamentos e artigos de Codeceira, como o seguinte, publicado à época no Diário de Pernambuco:
(***) tive ocasião de erguer um brado de solene protesto (***) quando o governo provisório da República considerava, por um decreto, dia de festa nacional o 21 de abril, consagrado à comemoração dos precursores da independência brasileira resumidos em Tiradentes.
Tendo assim procedido não posso deixar que passe em silêncio o vosso anúncio, convidando o povo pernambucano e o governo do Estado a vos acompanhar na festa cívica que pretendeis fazer em homenagem à memória do centenário de Tiradentes, por ter sido o primeiro sangue popular que irrigou a árvore da liberdade no solo brasileiro!.
(***) Não! Mil vezes não! Esta glória pertence somente ao pernambucano Bernardo Vieira de Mello, e àqueles que o acompanharam na jornada do ato solene manifestado no glorioso dia 10 de novembro de 1710, no Senado da cidade de Olinda. (***) primeiro movimento armado para a independência nacional e forma do governo republicano (***) Este ato cívico e de arrojado patriotismo deu lugar a um terrível massacre na família pernambucana, subindo a 722 o número de suas vítimas que com seu generoso sangue saturaram o solo da pátria, regando com ele a soberba árvore da liberdade, por eles plantada pela primeira vez no solo americano.(***)
Se Tiradentes foi um mártir da liberdade, não foi por certo o primeiro a irrigar a árvore da liberdade com o generoso sangue popular como dizeis no vosso anúncio. Esta glória cabe somente aos pernambucanos nossos avós.
Deixai que Minas e a Capital Federal, mesmo que todo o Sul enfim, não tendo outro mártir que derramasse o seu sangue, por amor à liberdade, festejem o centenário deste único, o Tiradentes; porque eles não se ocupam em festejar os nossos; e nem mesmo os conhecem.
O pobre Tiradentes a não ser o gênero da morte que lhe deram, não teria sido um mártir, apenas passaria, na história, por uma vítima inocente da sua imprudência e loquacidade; visto que a Inconfidência Mineira nunca passou de uma conjuração de poetas (***)
Tiradentes morreu como um bom católico e não como o herói padre Roma, apontando o coração àqueles que tinham de o fuzilar: Aqui é o centro da vida (***) recusara nobremente a proteção que lhe queria dar o Conde dos Arcos, insinuando-o a que negasse a sua firma; lhe respondia reconhecendo e confirmando a assinatura do seu nome como secretário da junta governativa!
Senhores da União Cívica, é preciso não esquecer os nomes dos pernambucanos, que pelo seu civismo se tornaram beneméritos da pátria, bem como dos nossos irmãos do norte, que sempre nos acompanharam no esforço e no martírio pela liberdade nas revoluções de 1710, 1817 e 1824.
Pertenceis à União Cívica e deixastes passar despercebido não só o dia 10 de novembro, como o glorioso 6 de março, um dos maiores dias para Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará! (***)
Apenas comemorastes o 13 de janeiro, aniversário da morte do herói Caneca, com uma festa pálida. Se a este herói fosse permitido ressuscitar, cobriria hoje a cara de vergonha e daria as costas a filhos tão degenerados. (***)
Como se tem degenerado a raça pernambucana! É força confessá-lo.
Não é, portanto, de estranhar que a União Cívica também procure hoje esquecer o martírio que sofreram seus antepassados, antes da Inconfidência Mineira, para dar essa glória a Tiradentes!
(***) lembrai-vos que nesta cidade acabou nas mãos do algoz, em 1817, o benemérito patriota Domingos Teotônio, com firmeza e heroísmo (***) assim também acabaram Barros Lima, padre Teotônio, Antônio Henrique, Amaro Gomes, Inácio Leopoldo, padre Antônio Pereira, José Peregrino e Francisco Silveira; pernambucanos e paraibanos.
A todos estes foram cortadas as cabeças e mãos, e os troncos amarrados à cauda de cavalos e arrastados pelas ruas da cidade (***).
Em 1824 foram aqui fuzilados Frei Caneca, Lázaro Macário, Agostinho, Monte, Nicolau, Redgers e Fragoso; no Rio de Janeiro, Loureiro, Mitovik e Ratcliff; e no Ceará o padre Gonçalo Mororó, Cel. Pessoa Anta, Azevedo Bolão, Silca Carapinima, Ibiapina e Feliciano; muitos outros que se achavam ausentes foram condenados à morte, banidos, concedendo-se direito a qualquer pessoa do povo de os poder matar livremente.
De todos esses mártires vos tendes esquecido (***)
José Domingues Codeceira
Recife, Diário de Pernambuco de 20 de março de 1892
Aceita-se pitacos:
Domingo, Julho 16, 2006
Nesta semana teremos a FESTA UNIVERSITÁRIA DE SÃO JOSÉ DO EGITO, evento tradicional do calendário festivo da região.
Apesar da sua importância cultural, todos os anos os organizadores têm que tirar leite de pedra para realizar o evento porque o apoio do governo estadual, do governo municipal e do comércio é sempre uma pequena esmola.
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Domingo, Julho 16, 2006
Melhorou o quadro clínico de Dom Francisco Austregesilo, bispo emérito da Diocese de Afogados da Ingazeira.
Ele está internado em Recife, após grave acidente.
Na minha juventude convivi com Dom Francisco, como participante das extintas PJMP, Pastorais da Juventude do Meio Popular.
É geral e permanente a admiração de todos os sertanejos pela pessoa deste austero e destemido pastor católico.
Ia escrever alguma coisa sobre Dom Francisco, como sentimento positivo a favor de sua recuperação, mas encontrei este texto do jornalista Magno Martins que fala por todos nós:
Dom Francisco, 82 anos, que migrou para o Pajeú no início da década de 60, partindo de Sobral, no Ceará, onde nasceu, já foi chamado de tudo pelos lambedores de bota dos militares, que nunca compreenderam o papel que exerceu em defesa de uma gente tão sofrida e discriminada, como é o sertanejo.
A acusação mais suave contra ele era de comunista. Outros preferiam agitador social, um adjetivo que soava melhor aos ouvidos do regime de exceção. Mas, na verdade, dom Francisco nunca foi nem uma coisa nem outra. Foi a voz dos oprimidos, dos que têm fome e sede de justiça.
Na defesa do seu povo, revelava-se implacável, sem papas na língua. Quando a seca chegava de forma avassaladora, matando gente e animais, aparecia ele, com seu vozeirão na Rádio Pajeú, para meter a chibata nas autoridades responsáveis. Em várias entrevistas, entre as quais algumas ao signatário deste blog, pregou abertamente o saque às feiras livres e ao comércio das cidades sertanejas.
A fome é má-conselheira, costumava repetir. Duas vezes por semana, dom Francisco falava ao meio-dia na Rádio Pajeú. De forma didática, explicava ao povo quais os seus direitos, dava conselhos, respondia cartas e bombardeava o governo de críticas. Daí, claro, a razão de carimbá-lo de comunista.
Dom Francisco era temido e destemido. Tomar o alheio para matar a fome não é pecado, disse, certa vez, numa entrevista antológica no Diário de Pernambuco, quando acusado de insuflar o saque no Sertão com suas pregações consideradas revolucionárias.
Quando bispo, nenhuma autoridade colocava os pés em Afogados da Ingazeira sem antes lhe fazer uma visita na Diocese. Governadores, foram muitos os que passaram por ali. Presidentes, o único que lembro foi Lula, mesmo assim ainda na condição de candidato. Ele encarava os interlocutores, escutava o que diziam, mas ninguém saia de lá sem ouvir seus desabafos.
A voz firme, lúcida e altiva do pastor também ecoava fora da sua terra. Virava manchete na Imprensa nacional quando fazia suas intervenções nos tradicionais encontros da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, em São Paulo. Ali, denunciava a fome do sertanejo, as agruras, os escândalos políticos na região e as políticas clientelistas do governo.
Lembro de algumas frases reproduzidas de entrevistas que me concedeu nos últimos anos.
Sobre reforma agrária: Tem que ser ampla, geral e irrestrita.
Seu pensamento quanto ao Nordeste: Somos enteados da Nação.
Sobre o regime militar: Escravizaram nosso povo, torturaram e mataram.
Sobre os políticos: Não acredito em nenhum deles. Todos mentem, prometem e nada fazem.
Dom Francisco, como se vê, combateu o bom combate. Oremos para que se recupere. O Sertão ainda precisa muito dele.
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Quarta-feira, Julho 12, 2006
A Natureza Das Coisas / Acioli Neto
Se avexe não...
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada.
Se avexe não...
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas.
Se avexe não...
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.
Se avexe não...
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa.
Se avexe não...
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá.
Se avexe não...
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar.
Composição de Acioli Neto/ gravada por Flávio José
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Domingo, Julho 09, 2006
ESQUEÇA MÃE DINÁ. JUCELINO É O CARA.
Você já ouviu falar em Jucelino Nóbrega da luz? O vidente ganhou certa notoriedade quando entrou na justiça para receber os 25 milhões de dólares prometidos pelo governo dos EUA como recompensa a quem informasse o paradeiro do ditador Saddam Hussein. Jucelino sustenta ter enviado três cartas apontando, com minúcias, o endereço onde Saddam seria encontrado - e teria sido justamente no local por ele indicado que o ditador foi preso.
O atentado de 11 de setembro, com a derrubada das torres gêmeas também fora previsto e avisado com antecedência em cartas enviadas ao então Presidente George Bush (pai do atual presidente dos EUA), em 26 de setembro de 1989; a Bill Clinton e à ONU em 28 de outubro de 1998.
Jucelino também afirma que sonhou com o atentado de Madri, no dia 11 de março, quando bombas explodiram em estações de trem e mataram cerca de 200 pessoas, e comunicou a visão à Embaixada da Espanha no Brasil.
Tem mais: Lembra do mega-assalto ao Banco do Brasil no Ceará? Além de dizer o endereço da agência, ele deu o endereço da casa de onde seria feito o túnel, além do valor a ser roubado: R$ 150 milhões. Tudo isso em 2001 ( disse que o roubo iria acontecer em 07 de agosto de 2005. Errou por apenas 13 dias...)
Não sou de perder tempo na frente da tv, mas quando me deixo nesse mal, prefiro aqueles programas bem toscos, abaixo do pior que reina nos canais abertos. Por isso um dos meus canais preferidos, digamos assim, é a TV Diário, cearence. E na Tv Diário nada supera o domingo do João Inácio Show. Qual foi destaque do programa de hoje? Jucelino Nóbrega da Luz!.
Previsões? A Itália seria campeã desta copa, num jogo sofrido, difícil. Pimba! 3 horas depois confirmou-se o - nem tão imprevisível- palpite do cara.
Mas a mais assustadora ou animadora (depende do ponto de vista de cada um)e instigante previsão, a se considerar e crer na verdade do retrospecto de profecias do Jucelino, é a do próximo presidente do Brasil. Ele deu o nome do homem desde outubro do ano passado e segurou a palavra hoje: quem leva é Alquimim.
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Sábado, Julho 08, 2006
DOIS QUADROS
Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terra do Sul.
De nuvem no espaço, não há um farrapo,
Se acaba a esperança da gente roceira,
Na mesma lagoa da festa do sapo,
Agita-se o vento levando a poeira.
A grama no campo não nasce, não cresce:
Outrora este campo tão verde e tão rico,
Agora é tão quente que até nos parece
Um forno queimando madeira de angico.
Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata.
O dia desponta mostrando-se ingrato,
Um manto de cinza por cima da serra
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato
De um bolo de sangue nascendo da terra.
Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
Do canto das aves louvando a natura.
Alegre esvoaça e gargalha o jacu,
Apita o nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre as verduras,
Beijando os primores do meu Cariri.
De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes.
Se o dia desponta, que doce harmonia!
A gente aprecia o mais belo compasso.
Além do balido das mansas ovelhas,
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.
E o forte caboclo da sua palhoça,
No rumo da roça, de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo, contente,
Lançar a semente na terra molhada.
Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso de nosso país.
Patativa do Assaré
Artigo sobre PATATIVA
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Foi um gênio cantando a terra nossa
Enfrentando o rigor do sertão bruto,
Se vestia do jeito do matuto
Roupa antiga e chapéu de aba grossa
Foi roceiro legítimo e na roça
Debulhou seus poemas geniais
Mas cansou de cantar para os mortais
Foi cantar lá no céu pra Sua Alteza
Veste luto a cultura camponesa
Patativa partiu e não vem mais.
Sebastião da Silva
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CONTO DE FADAS
Um deus estranho
Criou moscas de vidro.
Elas pousam apenas
Sobre pessoas
E com as patas
Rasgam imperceptivelmente
A pele
Depositando centenas de ovos
Que se espalham pela corrente sanguínea.
A morte é um espetáculo à parte:
Uma explosão de estilhaços
Voando em direção de outros corpos.
Micheliny Verunschk
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Meu filho eu não digo não
Que você goste de gado
Porque pode um homem honrado
Seguir qualquer profissão.
Sendo a sua vocação,
pode mostrar seu valor
Fazendo seja o que for
Como cidadão ordeiro.
É Melhor ser vaqueiro
Do que não ser bom doutor.
Manoel Rafael Neto
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Sexta-feira, Julho 07, 2006
Recebi hoje do Mentor o cd (Virada pra lua) desta intérprete/compositora de voz abençoada e gosto apurado, Simone Guimarães. Boa companhia para meu fim-de-semana depois de um mês com muito forró, quase todos de péssima qualidade. Meu ouvido chegou a pedir arrego!!!
Eu seria menos pernambucano hoje, sem o auxílio valioso do meu Mentor. Paulista atrapalhado, como se define, ele me faz ver, ouvir e saber de valores da minha terra, sempre atento às coisas daqui. Contou pra mim pelo e-mail desta semana:
Toda novidade musical pernambucana que descubro/descobri foi graças ao crítico Pedro Alexandre Sanches da CARTA CAPITAL.
Recentemente fui apresentado ao grupo musical pernambucano: Eta Carinae e seu novo trabalho: Mirando estrela. Crítica favorável.
Eta Carinae
Mais uma crítica a favor do CD de outro pernambucano: Ortinho. Ex-integrante do grupo Querosene Jacaré. Conhece?
Vocês pernambucanos são o máximo. São a grande novidade no cenário musical brasileiro. Falta divulgação.
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Sexta-feira, Julho 07, 2006
OS NÚMEROS NÃO MENTEM JAMAIS.... NEM MÃE DINÁ
Pra gente essa copa já acabou há alguns dias.
Somente agora resolvi deixar uma nota aqui neste blog, a respeito.
Leso e atrasado como só eu.
É que daqui a alguns anos vou rever os arquivos e ficaria me condenando por não ter feito nenhum registro do assunto, eu me conheço. Não tenho amores pelo futebol e meu entendimento desse esporte é tão ralo quanto caldo de batata. Daí saí procurando qualquer texto interessante sobre o tema, sobre nossa participação canarinha, coisa escrita por terceiros.
Lembro que antes da copa começar recebi uma ruma de mensagens como essa, que me animaram para o sonho do hexa:
Tem coisas na Matemática que só sábios poderiam explicar...
Olha só que interessante:
O Brasil ganhou a copa do mundo em 1994, antes disso, sua última conquista do título foi em 1970.
Se você somar 1970 + 1994 = 3964
A Argentina ganhou sua última copa do mundo em 1986, antes que isso só em 1978.Somando 1978 + 1986 = 3964
Já a Alemanha ganhou a sua última copa em 1990. Antes disso foi em 1974. Somando 1990 + 1974 = 3964
Seguindo esta lógica, poderia se ter adivinhado o ganhador da copa do mundo de 2002, pois este teria que ter sido o vencedor da copa de 1962! Conferindo: 3964 -2002 = 1962. E o ganhador da copa em 1962 foi o Brasil! Realmente, a numerologia parece funcionar...
E quem venceria a copa do mundo de 2006? Resposta: 3964 - 2006 = 1958 E quem ganhou em 1958?... Pqp, foi o Brasil!
O HEXA É NOSSO!
O estranho/absurdo é que esse texto motivou um fórum hilário na comunidade ARTE CONTEMPORÂNEA (!) do Orkut. E as participações vieram depois da derrota do Brasil pra França, claro:
Danieli 02/07/2006 16:35 : Os números não mentem jamais.
Eduardo 02/07/2006 16:42 : Acho que é o caso de processar a FIFA
Fernando 02/07/2006 16:48 : Nada não, mas, (pra França) de novo?!! e agora já Elvis.
Eduardo 02/07/2006 17:08: Já que você tocou no assunto, eu posso provar através da matemática que o elvis não apenas não morreu, como desafruta de uma velhice tranquila em Holambra.
Fernando 02/07/2006 17:10 :desafruta?!
Fernando 02/07/2006 17:11 : prove!
Sergio Ramiro 03/07/2006 06:35 : A matemática pode não errar, quem erra é o Carlos Alberto Barreira
Raul 03/07/2006 07:16 : Que vexame para a numerologia...Mãe Diná acertou!
Thiagoconspiracao 03/07/2006 08:02 : O que aconteceu foi um complô. Da PUMA com o PSDB se uniram pra surbornar a FIFA e não deixasse que o Brasil vencesse a copa. Dessa vez a NIKE ficou de fora.
***
Quem saiu bem dessa história toda foi nossa Mãe Diná.
Atento às curiosidades mais primárias e vitais dos visitantes deste blog, o SUPAPO (Serviço de Utilidade Pública e Popular do Raimundo Pajeú) indica este link com as previsões da vidente. Visite e não ria, por favor.
Brincadeiras à parte, Raimundo gostaria de escrever sobre a esses dias de euforia e frustração, isso:
(Para todos aqueles que reconhecem que o futebol contribui, e muito, para a estagnação deste país) Enquanto continuarem as lamentáveis discussões sobre qual é o melhor time, e enquanto as pessoas continuarem matando e morrendo por isto, a sociedade vai continuar do jeito que sempre foi: quase que completamente estratificada. Patriotismo só na hora de um jogo não vale de nada! A comoção que um gol causa nas pessoas é extremamente maior do que qualquer fato político e social pode gerar na população. É muito triste, é notoriamente selvagem. A população se autodestrói enquanto ri da própria desgraça! Eu não quero mais ser do país do futebol, mas sim do país da cultura e da justiça social. E você? (Emanoel Saboia)
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Quarta-feira, Julho 05, 2006
Raimundo de volta.
Vem logo divulgando nossos artistas locais: A Cia. de Danças Populares de Tuparetama mostrará a partir deste mês seu novo espetáculo FARRA,FREVO,FOLIA! - contemplado pelo PROGRAMA BNB DE CULTURA .
Participará, também em julho, da VII FENNEART, no Centro de Convenções em Olinda
E do 16º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS :
20/07 - Quinta-feira Abertura do 16º Festival de Inverno de Garanhuns
Noite dedicada à Cultura Popular
Mestre de Cerimônia: Salustiano
Convidados: Lia de Itamaracá, Orquestra de Frevo da Bomba do Hemetério, Cia. de Dança Popular de Tuparetama, Maracatu Piaba de Ouro, Banda de Pífano de Dois Irmãos Caruaru, Bacamarteiros, Ivanildo Vila Nova, Galego Aboiador, Coco Popular de Aliança, Maracatu Porto Rico.
Participações: Silvério Pessoa, Jorge du Peixe, Otto e DJ Dolores
Diga aí se esse povo de TUPARETAMA não é arretado de bom?
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