Seu Raimundo pede desculpas aos seus 4 ou 5 compadres e comadres pingados que visitam este sítio, mas anda mesmo muito ocupado neste mês de junho com forrós, arrasta-pés, quadrilhas, bandeirinhas, torcida-de-jogo-de-copa, busca de vivente pra lhe esquentar o peito, bucho inchado e desmantelo de peidação por causa das (viva!) pamonhadas e canjicadas... MAS VOLTA LOGO, Já-já!
Pra quem quer saber e ver como foi o lançamento do livro RETALHOS E BRICOLAGENS, anunciado aí abaixo, espiar aqui no blog junino de Tárcio Oliveira.

BOM FESTEJO PRA TODOS!
Aceita-se pitacos:





Lançamento do livro de poesias de Maciel Carneiro.
Dia 24 de junho
20:00 horas
Teatro Municipal - Rua Monsenhor Rabelo- Tuparetama-PE


Do autor e do livro:
O escritor Maciel Carneiro é historiador de formação. Nascido em São José do Egito em 15 de julho de 1978, e criado em Tuparetama, foi desde cedo influenciado pelos poetas repentistas que caracterizam a região do Alto Pajeú como Terra da Poesia. Filho de Joana DArc Carneiro da Silva e Severino Nunes da Silva, ambos camponeses, viveu sua infância ouvindo o canto da cigarra e os aboios de final da tarde, correndo pelas campinas do Sertão e enchendo os olhos de lua. Seu sonho não era escrever poesia, era ver o céu carregado e as nuvens despejando a riqueza do céu. Vindo para o Recife aos 18 anos de idade, estudou História e continuou a fazer versos e brincar com a linguagem a partir de antigas e novas influências. Atualmente leciona História no CEFET-PE. Sua primeira obra, de cunho científico, foi o Dicionário de Conceitos Históricos, livro escrito em parceria com a historiadora Kalina Vanderlei Silva, e publicado pela Editora Contexto em 2005.

Retalhos e Bricolagens são poemas que consubstanciam experiências estéticas e experiências com a linguagem. Escritos entre os 18 e 22 anos, estes fragmentos são, de certo modo históricos: assinalam as inquietações de um sertanejo nas águas do Recife, no entre-lugar das identidades, no entre-lugar das estéticas, no entre-lugar da solidão e da multidão. Retalhos e Bricolagens não é um projeto, é uma respiração.


Da apresentação:
Os versos de Retalhos & Bricolagens foram produzidos entre 1996 e 2000, quando, como podemos ver na diversidade de diálogos que o poeta trava com a nova realidade, a linguagem se apresenta como filtro necessário de sua trasladação de Tuparetama para Recife: a escrita aparece como mediadora da relação do poeta com uma nova forma de ser e estar no mundo que se descortinava na sua transferência para a capital, um novo mundo feito de grandes silêncios, esse interstício necessário para as descobertas e revelações que constituem a epopéia particular de todo ser que se interroga.
(...)
Num país onde se prefere a visão do copo meio vazio, quando ele esta também meio cheio, Retalhos & Bricolagens destaca-se pelo que tem: a coragem de dizer-se ao mundo, que caracteriza o ato poético; a expressão de um universo individual, subjetivo que se coloca sobre a geografia da capital; o curso das águas da escrita em nossa sociedade grafocêntrica. A publicação de Retalhos & Bricolagens é, por fim, uma celebração pessoal para Maciel. Mas a experiência pessoal só è literatura quando transcende a função do depoimento, e é com esse gesto que esse tuparetamense de 28 anos inaugura sua entrada oficial na cena literária pernambucana.
Tany Mara Monfredini


De Raimundo:
Estamos TODOS convidados e convocados.

Aceita-se pitacos:



Provedor ausente. Computador travando. Teclado epilético.
Fim-de-semana de Raimundo desequilibrado.
[...e ninguém pra aquecer minhas costelas nesse frio seco e encolhedor das noites do Pajeu ! ]
Esse gif muito apropriado surrupiei do blog Síndrome de Estocolmo

Aceita-se pitacos:




Assombrada pelo desamparo sentimental do caritó (mal medieval que ainda perturba nossas modernas, emancipadas e globalizadas mulheres) a poeta e humorista-fina Mariana apelou pra Santo Antônio no seu blog. É a versão digital de antigas tradições.
Por que o povo brasileiro, assim como o português, inclui nos poderes do santo que se festeja a 13 de junho, o de milagroso casamenteiro, prestativo cupido ? Talvez porque a primeira e principal virtude dele seja a de advogado das causas impossíveis e coisas inincontráveis. E o que é mais difícil de se encontrar e atingir, hoje, do que um bom e bem masculino garanhão, muito amoroso?

Nos Contos populares, de Lindolfo Gomes Juiz de Fora, Dias Cardoso e Cia, 1918 encontramos a lenda mineira que, certamente, contribuiu para que se alastrasse a crença em Santo Antônio como providencial casamenteiro.

Conta que uma jovem muito linda, mas cansada de esperar por um noivo, já desesperançosa do casamento, se apegou com Santo Antônio. Adquiriu uma imagem do santo, mandou benzer, colocou-a no oratório e ali depositava, todos os dias, flores do jardim e o tostãozinho de promessa.
Mas, passaram-se semanas, meses, anos -e nada. O noivo não aparecia, nem se falava na redondeza que algum rapaz ou mesmo algum velhote ricaço se tivesse por ela interessado. Até que certo dia, desesperada, se pôs a lamentar da ingratidão do santo, chegando mesmo a ser repreendida pela mãe. No auge do desespero, agarra a imagem e atira-a pela janela.
Nesse instante passava na rua um jovem que é atingido pelo santo, em cheio, sobre a cabeça. Apanha a imagem, intacta e sobe a escada do sobrado, de onde partira, de uma das janelas, a imagem. É assim que conhece a nossa donzela e. apaixona-se por ela. Acabam casando, naturalmente por milagre do santo.

E assim, de caso em caso, a fama do santo cresceu.

Para auxílio a Mariana e outro(s)s interessado(a)s -sim porque agora temos tantos homens quanto mulheres à busca de um parceiro varonil- o SUPRAP -Serviço de Utilidade Pública do Raimundo Pajeú- traz um seleção de tradicionais e testados apelos a Antônio, o santo:


Meu querido Santo Antônio
feito de nó de pinho,
me arranje um casamento
com um moço bem bonitinho (ou bonzinho).



Feito um pedido a Santo Antônio, caso a pessoa tenha pressa em ser atendida, é rezar um padre-nosso pela metade que o santo atenderá logo, para que o suplicante termine a oração.


Santo Antônio, que sois invocado como protetor dos namorados, olhai por
mim nesta fase importante da minha existência, para que não se perturbe
esse tempo bonito da minha vida com futilidades e sonhos sem consistência,
mas o paroveite para um melhor e maior conhecimento daquele ser que Deus
colocou ao meu lado e para que ele também melhor me conheça. Assim,
juntos, preparemos o nosso futuro, onde nos aguarda uma família que, com
voss aproteção, queremos cheia de amor, de felicidade, mas sobretudo de
benção de Deus. Santo Antônio, abençoai este nosso namoro, para que
transcorra no amor, na pureza, na compreensão, na sinceridade e na
aprovação de Deus.


Ai, ai, Santo Antônio tenha dó
Ai, ai, Santo Antônio tenha dó
Já estou ficando velha
Já estou ficando só
Eu vivo só
E sem ninguém
E quem eu quero
Não me quer bem

Ai, ai, Santo Antônio tenha dó
Ai, ai, Santo Antônio tenha dó
Já estou ficando velha
Já estou ficando só

Eu quero um moço
Rico e formoso
Não peço mais
Porque sei qu¿isto é custoso

Gravada por Ely Camargo, em Canções de minha terra, v. 1, Chantecler


Oh meu glorioso Santo Antônio
Pelo hábito que vestistes
Pelo cordão que cingistes
Estar vosso pai vistes
Como sete sentenças da forca
Não dormistes nem descansastes
Enquanto, senhor, não o livrastes
Assim, vos peço, santo bendito
Que não durmais, nem descanseis
Enquanto não aparecer
O que vos peço me depareis


Se milagres desejais
Contra os males e o demônio
Recorrei a Santo Antônio
E não falhareis jamais.

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro e a morte,
Quem é fraco fica forte
Mesmo o enfermo fica são.

Rompem-se as mais vis prisões,
Recupera-se o perdido,
Cede o mar embravecido,
No maior dos furacões.

Penas mil e humanos ais,
Se moderam, se retiram;
Isto digam os que viram,
Os paduanos e outros mais.

- Rogai por nós Santo Antônio,
- Para que sejamos dignos
das promessas de Cristo.



Ferver Santo Antônio na água em que se vai fazer o café e dar para o namorado beber, é casamento na certa.


Não nos esqueçamos, finalmente, que entre os muitos grandes milagres atribuídos a Santo Antônio está o de ter salvo seu pai da forca. Não é pouca coisa.
Vai ver que você não pensa em casar mas certamente nestes tempos de inadimplência geral tem alguém da família ou você mesmo na forca.
Correi ao Santo!

Raimundo Pajeu não é especialista em Santo Antônio; teve o auxílio do conteúdo do sítio JANGADA BRASIL

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Mais um toque do Mentor, sempre alerta - apesar de paulista - às coisas de pernambuco.

Cidadãos de Abreu e Lima, município pernambucano, são os primeiros brasileiros beneficiados pelo MISSION MILAGRO, um acordo de cooperação entre Cuba e Venezuela, que pretende fazer cirurgias de catarata e epterismo (presença de carnosidades no globo ocular) em 600 mil latino-americanos em um ano e em um total de 6 milhões em dez anos.
A Missión Milagro já beneficiou pessoas em 24 países da América Latina e Caribe. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), as cataratas seguem sendo a causa de metade de todos os casos de cegueira, apesar da existência de cirurgias de baixo custo que permitem a restauração da visão.

Os pernambucanos embarcaram no final de maio, em um avião fretado, para Caracas, para as cirurgias nos olhos. As despesas da viagem e das cirurgias são pagas pelo governo da Venezuela. A prefeitura assumirá o tratamento pós-operatório em uma clínica particular que fez a seleção dos mesmos e os exames pré-operatórios. Se alguém necessitar de nova cirurgia, o governo venezuelano arcará com as despesas. O acordo para a realização das cirurgias foi firmado diretamente entre a prefeitura de Abreu e Lima e o governo venezuelano, sem envolver os governos estadual e federal.

Hugo Chávez tem uma especial ligação com a cidade pernambucana, da qual recebeu o título de cidadão honorário em dezembro de 2005 quando esteve ali para inaugurar os bustos de seus ídolos, Simon Bolívar e do general Abreu e Lima (que lutou com Bolívar).

Segundo o embaixador da Venezuela no Brasil, Júlio Garcia Montoya, seu país está pronto a atender todas as prefeituras brasileiras que demonstrarem interesse. Os pacientes são operados por médicos venezuelanos, capacitados por Cuba.

Relato de uma viagem para o programa Mission Milagro
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Quando o caminhão pegou a menina ela corria pela estrada com a bicicleta Monark ano 86.
Era 9 ou 10 horas da manhã, ela ia para a cidade com uma encomenda da sua tia.
Tinha deixado de ir para a escola porque desistiu do ano, foi ajudar os pais no roçado, muita chuva em março e abril, precisavam de todas as mãos da casa e de todas as horas do dia na lida, para aproveitar o inverno.
Foi assim, com o lucro de alguns sacos de milho, que ganhou sua bicicleta.
Da cabeça estourada pelo pneu do automóvel sangue e miolos misturaram-se com insistência à terra, sua sina, seu fôlego curto.
Aceita-se pitacos:



Libório, um corpo que o tempo corrompeu, espia as ancas de Quitéria refletidas no alumínio polido da bacia, colocada no centro do quarto. O centro do seu universo.
As ancas carnudas de Quitéria.
Os peitos cheios de Quitéria.
O rosto sério, ausente, de Quitéria.
Os cabelos presos no alto da cabeça, em coque, de Quitéria.
As mãos firmes e determinadas, de Quitéria.
Os braços potentes de Quitéria, para sustenta-lo e conduzi-lo no percurso diário de todas as noites: beirada da cama, de lá para o fundo da bacia com água morna, de lá para as toalhas secas, de volta para a cama, de bruços para receber as compressas, a pomada e os supositórios.
Precisam escrever para o filho. Dizer que os remédios estão no fim. É bom quando o trimestre se vence e oferece os motivos para a carta. Escrevem frases cheias de loas, lamentos e bênçãos para o menino que trabalha na capital e abastece a farmácia caseira, juntando à remessa periódica o bilhete com letra de doutor: abraços, saudades, me abençoem.
Agora Quitéria deitada ao seu lado já dorme, uma parede morena, carne inerte sobre a cama. Libório não dorme, espia a luz da lua entre as brechas do telhado, escuta o mato, os grilos, as gias, as rezes, o vento. Quer rezar mas não se leva à serio. Quer chorar, não sabe. Dana o dedo na bunda, de vez. A dor de corte, de faca, arranca o grito. O sangue suja o pijama, o lençol.
O grito acorda Quitéria, é assim que recebe dela outros minutos de atenção no meio da noite.


Aceita-se pitacos:

Cuida cumpadre, acode comadre, a vida é curta, o tempo voa: