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Sábado, Abril 29, 2006
A PELEJA DE TONHÃO x ADAGRO
A novela do mês, que vale folhetos de cordel, programas de rádio e teses de antropologia, demagogia e pedagogia está no site de NIL JUNIOR ( clica nos recomendados ao lado) e no flog de Tárcio Oliveira.
foto de Edercássio/ do fotoblog de Tárcio Oliveira
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Quarta-feira, Abril 26, 2006
SEXTILHAS DO POETA VALDIR TELES
Valdir Teles, de Tuparetama-PE. Como todo grande repentista, sua arte fala por nós.
Estado é pra defender
Todas classes sociais
Rico, pobre, preto ou branco
Que tenha menos ou mais
Que o Poder transforma os homens
Mas nós nascemos iguais
No período do Império
Os barões do feudalismo
Já se apoiavam nas leis
Que regem o capitalismo
Massacrando o proletário
E ferindo o socialismo
Quando acontece uma greve
Em defesa do salário
A polícia vai pra rua
Proteger o empresário
Dar segurança ao patrão
E bater no funcionário
Essa questão dos sem-terras
Podia ter solução
É porque quem não trabalha
Detém a terra na mão
E quem precisa da terra
Não tem um taco de chão
As leis deveriam ser
Criadas por todos nós
Analisadas por todos
Não só ricos e algoz
Por isso o rico é quem manda
Pobre nunca teve voz
Quando acontece um impasse
Entre o pobre e o barão
O Estado mesmo vendo
Que o pobre possui razão
Se ele não ficar omisso
Vai defender o patrão
Onde a burguesia impera
O pobre não vive bem
Liberdade e bem-comum
São teorias de alguém
Porque no capitalismo
Cada um vale o que tem
O Estado é uma máquina
Que tem seus operadores
O Presidente, os Ministros
Prefeitos, Governadores
Só falta usar o poder
Pra o bem dos trabalhadores
Onde o Estado é burguês
Quer a burguesia unida
A concentração de renda
Entre ela dividida
Nem que o proletariado
Fique sem casa e comida
Um país capitalista
Defende a lei dos credores
Beneficia os banqueiros
Ajuda os empregadores
Salva o latifundiário
E oprime os trabalhadores
(Valdir Teles)
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Segunda-feira, Abril 24, 2006
A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA, A GENTE QUER COMIDA, DIVERSÃO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
A obra de arte de Marcia_X censurada recentemente. Não seria um bom presente pra oferecer a BENTO XVI na sua futura primeira visita ao Brasil?
>> Pra saber do angu-de-caroço envolvendo essa obra, lê aqui
>> Pra saber o que Seu Raimundo acha, lê abaixo. O texto é de Sérgio Rodrigues, do NOMINIMO:
A discussão sobre os limites entre erotismo (arte) e pornografia (lixo cultural) é complicadíssima, mas a exposição Erotica-Os sentidos na arte, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, dá à questão uma das melhores respostas possíveis.
A obra Desenhando em terços, da artista plástica carioca Márcia X. (1959-2005), desenha grandes paus duros que um certo pudor erudito manda chamar de falos com terços, aqueles colares de contas que os católicos tradicionalistas usam para rezar.
A direção do Banco do Brasil, em Brasília, se assusta com os emails (mais de 700, segundo seu comunicado sobre o caso) de clientes ofendidos pela obra, alguns ameaçando encerrar suas contas na instituição, e manda o CCBB tirar Desenhando em terços da mostra. O que é feito imediatamente.
Difícil imaginar episódio mais didático. A obra blasfema de Márcia X. é erotismo. A atitude covarde e obscurantista do Banco do Brasil é pornografia. A primeira provoca o pensamento: incomoda, mas é a favor da vida. A segunda odeia o pensamento e o mata: é indecente, um ultraje às pessoas de bem.
Simples assim.
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Segunda-feira, Abril 24, 2006
ÁRIDO MOVIE foi o grande vencedor da 10ª edição do Festival do Audiovisual CINE-PE, encerrado na noite do último sábado. (Montagem, ator coadjuvante, fotografia, direção e filme).
Pra quem ainda não viu o filme, como eu, tem o consolo de ler textos sobre ele e uma entrevista com Lírio Ferreira, o diretor. Aqui no CinemaScopio [ Temos agora nosso próprio "drug-movie", com as peculiaridades de um estado que sabe muito bem o que é maconha. Na verdade, Árido Movie assume o Pernambuco maconheiro que, numa das melhores falas do filme, "deveria exportar para a Holanda". ] e aqui no SPOILER de 16 deste mês [ Todo filme tem um caráter um pouco autobiográfico. "Árido Movie" tem, não só meu, mas das pessoas que me cercam. Descobri o sertão quando criança. Meu pai tinha um armazém no interior da Bahia. Cruzávamos o sertão de Pernambuco em direção ao interior da Bahia. O sertão era presente e cotidiano na minha infância. Ao mesmo tempo, eu me sentia completamente estranho ali. Tudo me impressionava muito. As pessoas, sua maneira elegante, educada e sincera; a luz, o clima. "Árido Movie" é autobiográfico no sentido dessa volta, da busca de memórias. Tem também homenagens a amigos, a pessoas que me cercam. E outras coisas mais./ Lírio Ferreira ].
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Quarta-feira, Abril 19, 2006
Minha bisavó, num tom entre a saudade e a resignação:
Naqueles tempos tinha muita mata-fechada.
Sertão era terra virgem, só gado, homens e poucas mulheres.
Índio não se contava, matava-se porque era gente sem prestar. Aproveitavam as mulheres, as novinhas.
Minha vó, mãe dizia, foi pego na mata, a dente-de-cachorro. Era um tempo muito atrasado, meu filho, nesse Pajeú.
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Segunda-feira, Abril 17, 2006
Projeto de novo espetáculo da Cia. de Danças Populares de Tuparetama foi selecionada para o PROGRAMA BNB DE CULTURA 2006, provando mais uma vez a seriedade e excelência do trabalho cultural desenvolvido pelo grupo em nossa região!
O Banco do Nordeste divulgou a lista de projetos selecionados pelo Programa BNB de Cultura 2006 hoje às 9 horas.
O Programa BNB de Cultura é uma linha de patrocínio direto do Banco do Nordeste, para apoio à produção e difusão da cultura nordestina, mediante seleção pública de projetos nas áreas de Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Literatura e Música.
No Programa, foram inscritos 2.354 projetos, provenientes de 334 cidades de 17 estados brasileiros sendo os 11 estados na área de atuação do Banco, além de Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
Desse total, um montante de 1.076 (45,7%) propostas veio de 312 municípios interioranos. Outros 1.278 (54,3%) projetos vieram das nove capitais nordestinas e mais 13 cidades situadas nos seis estados retrocitados.
Para analisar os projetos, o Banco formou comissões externas de avaliação para as cinco modalidades artísticas, cada uma composta por cinco especialistas. Na seleção, foram considerados os seguintes critérios: qualidade artística; atendimento de interesse coletivo da comunidade; formação ou aperfeiçoamento profissional; condições de sustentabilidade; viabilidade físico-financeira; ações e investimentos dos recursos financeiros voltados prioritariamente para municípios da área de atuação do BNB, menos providos de atividades culturais; e potencialidade de consolidação da imagem do BNB junto à sociedade.
(Texto do site do BNB)
Para acessar a lista de projetos selecionados clique aqui
Para conhecer o trabalho da CDPT clique aqui e aqui
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Domingo, Abril 16, 2006
A esculhambação já começou. Nas nossas cidadezinhas o que se vê são carros e janelas com adesivos de (pre?)-candidatos das próximas eleições. Não é proibido fazer Propaganda eleitoral antes de julho? Se for pra moralizar o processo eleitoral ou libera logo essa esbórnia e sua poluição visual ou chama à lei os infratores: candidatos, cabos-eleitorais e baba-ovos.
***
E ouvi dizer que agora em abril o atual Governador do Estado visitará nossas aprazíveis cidades pajeuenses. Não porque está governador, imagino, mas porque será candidato. Essas viagens tão catitas não seriam....campanha eleitoral?
***
Assim como os pobres eleitores, as leis não escapam das forças maiores que regem nossa política: a hipocrisia e o cinismo.
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Quinta-feira, Abril 13, 2006
Ali entre a cerca de varas e a sombra escura do juazeiro, enquanto se sacudia a cada estocada rude do outro, no rebuliço de mãos, cabelos, suores e fungados, o pensamento voltou, - isso são horas de pensar besteira, mulher? Reclama-se - o pensamento que teve logo cedo quando alimentava a porca e suas crias, o pensamento que nasceu na sua infância, desde que ajudava a mãe a dar a lavagem dos porcos e atrepada no chiqueiro admirava aquele animal sujo, o pensamento de que as mulheres também deveriam ter nascido com tantos peitos e muito leite. E que deveríamos como os porcos comer de tudo. Assim não teria sofrido tanto pra criar os quatro filhos, assim não teriam passado tanta privação, assim não estariam eles em casa agora esperando-a de boca aberta e barriga vazia. Assim talvez não tivesse amaldiçoado tantas vezes aquele bicho-nojento-cachorro-da-muléstia do marido que se foi há mais de oito anos pra São Paulo, pra trabalhar, pra mandar dinheiro pra casa e nunca mais voltou, nunca mais deu notícias, nunca mais.... deixando-a quase viúva, ali entre a cerca de varas e a sombra escura do juazeiro, agarrada à esperança da feira que virá pelos braços que lhe apertam agora, agarrada à raiva da vida, ao fogo da carne e ao desejo de desaforada vingança, desejando ser uma porca pra aninhar sob as tetas as bocas secas dos filhos. Até que elas cresçam e arrumem seus maridos, até que eles cresçam e sigam pra São Paulo como o pai.
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Quarta-feira, Abril 12, 2006
A Cia. de Danças Populares de Tuparetama é o único grupo cultural do Sertão selecionado para o repertório de espetáculos do VI CIRCUITO PERNAMBUCANO DE ARTES CÊNICAS, que terá início em maio. O espetáculo é DANÇANDO NAS ALTURAS, com danças em pernas-de-pau.
Para saber mais sobre o CIRCUITO e a seleção dos espetáculos visite a página da FUNDARPE.
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Terça-feira, Abril 11, 2006
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
(***)
De repente, não mais que de repente
(***)
Fez-se do amigo próximo o distante
(***)
De repente, não mais que de repente.
Vinícius em pedaços....
O SILÊNCIO QUE SEPARA INCOMODA- Raimundo despedaçado
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Terça-feira, Abril 11, 2006
SANTA LEITURA!
O QUE SEU RAIMUNDO ESTÁ LENDO.....
Foi ontem assim como poderia ter sido hoje. Ou amanhã.
Agora está próximo o amanhecer.
Quem sabe as sombras bordam a madrugada para arrebentar o coração do sol? Para escurecê-lo?
A noite é a traição do dia.
(Raimundo Carrero- As sementes do sol- o semeador)
O livro que releio é do acervo da Biblioteca Municipal. Foi com ele que descobri este que é um dos meus autores preferidos, Raimundo Carrero.Que não por acaso é pernambucano. Ainda por cima, sertanejo. Agora neste começo de semana-santa releio AS SEMENTES DO SOL- O SEMEADOR, tragédia com triângulos amorosos tomando como base o episódio bíblico de Davi e, em particular, o motivo do incesto.
Descobri hoje cedo o sítio do escritor, um negócio muito lorde! ainda não tive tempo de adicioná-lo aos recomendados ao lado, clica aqui pra visitar.
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Domingo, Abril 09, 2006
Há seis dias que João chegou ao paraíso.
Mas ainda não comeu do fruto cobiçado.
***
Vivera todos seus anos planejando e trabalhando para a viagem. Ouvindo estórias dos que se foram antes dele, olhando os retratos, assistindo televisão, renegando as misérias, os atrasos e as limitações da sua terra, do seu povo, desse lugar sem-jeito.
Aprendeu a assinar o nome na turma da alfabetização solidária para jovens e adultos, providenciou os documentos, vendeu as duas cabras e dois cabritos, comprou a passagem e uma roupa nova, um chapeu, par de botas, carteira marrom, mala com cadeadozinho inseguro.
A mãe chorou desconsolada como se nunca mais fosse revê-lo, o pai olhava com um risco de esperança nos olhos, quando o transporte partiu.
***
Há seis dias que João chegou no paraíso. Deslumbrado ainda, nomeando as criaturas inúmeras. Quase nu.
Na quinta noite deitou com uma mulher e derramou-se. No sexto dia contou o dinheiro que restava e antes de procurar trabalho com os parentes prontos pra ajudá-lo quis experimentar do fruto cobiçado desde criança.
Gastou quase tudo que lhe restava na carteira marrom pra comprar o desejo. Tudo ali era tão caro, espantou-se. O preço da felicidade....
***
Trancou-se no quarto e comeu até não poder mais. Empanzinado, morreu. Descansou.
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Sexta-feira, Abril 07, 2006
E TOME FREVO!
Detalhe de tela de Bajado, um artista de Olinda
Frevos de Pernambuco é o sítio criado pela Secretaria de Educação e Cultura/ Governo do Estado, para facilitar o acesso a partituras por parte de músicos, regentes, orquestras e bandas. Está no ar desde fevereiro, disponibilizando as partituras completas de 75 músicas de 27 diferentes compositores, desde pioneiros como Nelson Ferreira e os Irmãos Valença aos contemporâneos J. Michiles e Geraldo Azevedo.
Também é possível encontrar as letras das músicas e arquivos MIDI, que reproduzem a melodia das composições. As partituras estarão disponíveis nos formatos JPG (imagem) e PDF, para impressão profissional.
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Quinta-feira, Abril 06, 2006
A SABIÁ DO SERTÃO
A cantora e compositora BIA MARINHO, de São José do Egito, certamente a melhor voz e melhor intérprete feminina das que já ouvimos por essas regiões, está com uma comunidade no Orkut. Entre as discussões da comunidade, a velha queixa (e busca de explicações) sobre a falta de apoio aos talentos locais e os critérios da mídia para promover/anular artistas. Dessa discussão pescamos o texto abaixo, do poeta Leonardo:
Esse isolamento ( de artistas de regiões do interior como o Pajeú) é fruto de um conceito de ídolo que mudou bastante aqui no Brasil, com a invasão cultural que ocorre no bojo da mal-disfarçada globalização: o mito não surge por aclamação popular, mas é construído estrategicamente pela mídia, daí tantos midiotas, histericamente, adorando o que nada tem a ver com o que é nosso.
Há algum tempo atrás, tínhamos um mercado regional de arte - lembra da Rosemblitz? - que foi sucumbindo pela força da mídia, em especial a televisiva que, em tempo triste de nosso País, serviu de instrumento de controle das massas. E ainda serve.
Ou alguém aí consegue, fundado em alguma razão, por mínima que seja, me convencer que coisas como Kelly Key, Latino etc. têm algo de arte, ou alguma semelhança com alguma coisa nossa, além da idiotice que se instalou neste Pais?
Bia é, talvez, a maior expressão da autenticidade de nossa gente. Grande mulher, cheia de uma graça que só no serão se acha (no dizer de Wilson Araújo de Souza, O sertanejo é antes de tudo um Sócrates) e, independente do que venha a ocorrer em termos de sucesso, ela já é grande. De uma grandeza sem par!
Quem sabe não aparece algum empresário que pense em alguma coisa além de $$ e invista nela e em outros talentos nossos? Sonhar é grátis e não paga imposto...
No porém do agora, una-se aos que lutam para que espaços se abram a essa gente maravilhosa que é a nossa.
Viva o povo brasileiro!
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Domingo, Abril 02, 2006
PAJEÚ DAS PAIXÕES
Por causa dessa tradição presente em quase todo o Estado, de encenar a via-sacra na semana santa pelas ruas das cidades ou nos pátios das igrejas, tendo como referencial maior e como destaque o espetáculo de Nova Jerusalém, o birô do turismo estadual chegou a criar uma campanha intitulada PERNAMBUCO DAS PAIXÕES.
No caso do Pajeú não sei de alguma cidade que não traga para a rua seu teatrinho sacro, com atores improvisados enrolados em figurinos feitos com lençóis de cama, gritando Crucifica-o! Crucifica-o! É uma catarse geral, não raro apoiada mais na comédia involuntária do que no drama da morte do Nosso Senhor pois sempre se verá um fato engraçado, um ato fora de controle nessas nossas encenações. É O PAJEÚ DAS PAIXÕES.
Lembro-me de uma amiga que fazia o papel de Maria, tinha voz potente, adequada para teatro de rua, mas não conseguia chorar em cena, atriz de recursos limitados que era. Como truque resolveu usar uma cebola escondida no lenço da mão e entre uma estação e outra, antes de entrar em cena, apertava a cebola com as unhas, junto dos olhos. Uma beleza de choro! O problema aconteceu na cena da crucificação, como a cruz era baixa ela conseguia alcançar o rosto do Jesus e enquanto lamentava com gritos de dor a morte do filho passava as mãos aceboladas pelo rosto do ator, que terminou ressuscitando antes da hora, com um grande espirro.
Os atores que representam Jesus também nos oferecem momentos impagáveis: Teve um que fez a Paixão dois anos seguidos e deve ser até hoje o único Jesus crucificado de túnica, pois se recusava terminantemente a fazer as cenas na cruz de sunga por causa do seu avantajado órgão sexual; e outro, dono de um intestino que era uma fábrica incansável de gases. Na cena em que o desceram da cruz e o colocaram, morto, no colo de Maria, escapuliu uma daquelas bombas tóxicas. Coitada da Maria, quase desmaiou, mas disfarçou e tapou o nariz com o manto. Só que temos sempre aqueles moleques impossíveis entre o público, colados às cenas... E um deles gritou bem alto, naquele momento de silêncio e consternação geral: Eita o Jesus morreu agora e já fedendo de podre! Vige que carniça!!!!
Está sem dinheiro pra ir ver, pelo quase mesmo preço com que Judas vendeu Jesus, os atores da tv Globo no maior teatro ao ar livre do mundo? Está sem fôlego para correr entre os cenários de pedra e cactos de Nova Jerusalém, gritar por um autógrafo ou gritar descontroladamente ao ver Henry.Castelli semi-nu, só de sunguinha no madeiro, e chorar com os fogos de artifício no céu da ressurreição? Então dá uma circulada pelas cidades daqui mesmo e divirta-se com nossos não tão glamurosos astros nem tão luxuosos figurinos mas sempre determinados e abnegados encenadores cristãos.
Nesta minha ainda curta vida já assisti muitas Paixões de Cristo no Pajeú e, como disse, se não me comovo pelo drama me divirto pelo riso. E penso que Jesus também, vendo essas Paixões, e Ele vê! Pois não disse que estaria presente quando dois ou mais se reunissem em Seu nome?
Detalhe do cartaz da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, deste ano
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Sábado, Abril 01, 2006
Todo bom e bem-plantado sertanejo sabe o que é pé-de-parede: dois cantadores fazem sua apresentação em bares ou casas de família e ficam por várias horas improvisando, a partir dos temas (motes) propostos pela platéia. O pagamento se dá(va) numa bacia colocada aos pés dos cantadores. Manda a tradição que o dono da casa ou dono do bar ou quem organizou a cantoria abra
a noite colocando uma quantia na bacia, e este incentiva os convidados a pagarem também.
Vamos improvisando um pé-de-parede aqui neste blog, trazendo ecos dos versos de poetas vivos e mortos pra clarear nosso final de semana.
LOURIVAL BATISTA :
Um cientista profundo
perguntou-me certa vez,
se eu conhecia os três
desmantelos deste mundo.
Eu respondi num segundo:
DOIDO, MULHER E LADRÃO.
E disse mais a razão:
doido não tem paciência,
ladrão não tem consciência,
MULHER NÃO TEM CORAÇÃO.
JOSÉ ALVES SOBRINHO :
Brasil de caracaxá,
do quengo, do cacareco,
do fole, do reco-reco,
do pandeiro, do ganzá,
do chibé, do aluá,
baião de dois, rubacão,
da farofa, do pirão,
da tapioca de coco,...
Este é Brasil de caboco,
de mãe preta e pai João.
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MANOEL GALDINO BANDEIRA :
Manoel Galdino Bandeira
de São José de Piranha,
dá grito no pé da serra,
chega estremece a montanha,
cantador nas minhas unhas
ou corre ou morre ou apanha.
PINTO DE MONTEIRO(respondendo):
Eu como ando em companha,
no solo paraibano,
se eu pegar sua bandeira,
queimo a haste e rasgo o pano,
que o remendo menor,
pra costurar leva um ano.
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BIU GOMES :
O sabiá do sertão
faz coisa que me comove:
passa três meses cantando
e sem cantar passa nove,
como que se preparando,
pra só cantar quando chove.
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SEBASTIÃO DA SILVA :
A casa que morei nela,
que fui feliz com meus pais,
só restam teias de aranha,
cupim roendo os frechais,
é um poema de angústias,
de saudades,nada mais..
VALDIR TELES (respondendo):
Só restam mesmo os frechais
e a cumeeira pendida,
um fogão velho de lenha,
a mesa velha encardida,
mas pra mim foi a morada
melhor que eu tive na vida.
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OTACÍLIO BATISTA :
Fazer o bem é perdido,
fazer o mal não convém,
entre a maldade e o bem,
quem faz o bem é traído.
Eu não fui compreendido,
quando tive compaixão
de quem me estendia a mão,
desejando ser feliz:
A quem mais favor eu fiz
Só me fez ingratidão.
JÓ PATRIOTA :
Estes teus seios pulados,
que estão me desafiando,
são dois carvões faiscando,
no fogão dos meus pecados,
são dois punhais afiados,
que já ferem dois cristãos,
para o meus lábios pagãos,
são dois sapotis maduros,
Quero ver teus seios puros
nas conchas de minhas mãos.
JOSÉ ALVES DE MIRA-FLOR :
Disse assim o tentador
com Jesus na solidão:
converte pedras em pão,
tentando a Nosso Senhor,
o Divino Salvador,
com frases que não se somem,
mostrou que os justos não comem,
repelindo o anjo audaz;
retira-te satanás,
Nem só de pão vive o homem.
Aceita-se pitacos:
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