23.2.06


AS ÁGUAS VÃO ROLAR

A AMUPE reuniu cerca de 1500 pessoas em SALGUEIRO, incluindo nessa conta quase todos os prefeitos sertanejos, para manifestação a favor da transposição do São Francisco.
Compareceram o ministro Ciro Gomes, deputados federais, estaduais e caçadores de votos para as urnas deste 2006.
Foi uma mistura de fuá, comício, pré-lançamento de campanhas eleitorais, messianismo-redentorista-das-misérias-sertanejas e leilão de apoios políticos-eleitorais ( daí, dessa última característica, o porquê de tanta mobilização da AMUPE e tantas presenças ilustres ?).
Eu não confio numa só palavra que pula da boca dessa gente palanqueira.
A revitalização do São Francisco é uma das muletas do projeto. Então tá. Começou quando e onde essa revitalização?
Basta ver a consciência ecológica local, o cuidado da gente sertaneja com suas fontes de água, a cultura de desperdício e a manipulação política da água pra ficar no mínimo um pé atrás com esse projeto.
Basta ver, pra citar um exemplo bem próximo de nós, a desatenção das autoridades, sobretudo dos prefeitos sertanejos que lá estavam, com a situação de irregularidades contra o Rio Pajeu, afluente do São Francisco: lixo, esgoto, desmatamento das ribanceiras, soterramento, cercas e currais no seu leito como se fosse propriedade privada...
Será que eu tô errado? Pode ser, matuto-sertanejo é muito desconfiado.
Pra não colocar aqui só um ponto-de-vista, o do contra, vou lincar (vixe que nome feio da peste!) o cumpadre e a comadre com dois palavreados a favor da transposição:
OBRAS DA TRANSPOSIÇÃO SERÃO FEITAS EM 24 MESES
UM SONHO VIRANDO REALIDADE


A propósito, foto de currais irregulares dentro do Rio Pajeú, na cidade de Tuparetama. O mesmo se repete em outras cidades da região. Foto do cumpadre Tárcio Oliveira.
Aceita-se pitacos:

22.2.06


QUEM LUCRA COM NOSSO ESTADO (de penúria) ?

Enquanto isso..... o povo tá cumeno vrido, e o balão vai pipocar! o povo tá cumeno vrido, se tá pior vai piorar (Alceu Valença)
Aceita-se pitacos:

21.2.06


Tempo de imbu. Tá verdinho. Tá sentindo o gostinho agridoce da imbuzada, meu cumpadre, minha comadre?



Na foto do cumpadre Tárcio Oliveira vemos o imbu-cajá, que não é o mais indicado pra imbuzada. O melhor é o imbu-do-mato, redondo, polpudo, peludo.


Aceita-se pitacos:


Do meu MENTOR paulista, surpresa-costumeira: carta rica de informações. Fala de cinema (musas, filmes alternativos, filmes brasileiros.... [é através dos seus olhos que eu vejo a setimarte], fala de política, fala da vida na cidade grande, imensa..) e traz indicações de sitios. Confio mas confiro (bom discípulo indisciplinado) e acrescento na lista raimundina PRA LER ... vou destacar uma dica, o sabadabada, que eu visitante do fiteiro não tinha enxergado ainda. O Mentor: E um sítio americano interessante.Você encontra discos de MPB da década de 60 e 70. Eles disponibilizam o áudio e você pode ouvir todas as faixas de um determinado disco. Este mês está disponível, por exemplo, o álbum "Alegria, Alegria vol II", do Wilson Simonal.
Sabe ingrês não, meu veio? Se estique!
Aceita-se pitacos:

16.2.06




Eu tenho a síndrome dos 3-Pês. Fico desconfiado e seguro logo com firmeza minha carteira quando estou perto de um político, padre ou pastor. Ainda assim concordo com o posicionamento de maior parte das lideranças católicas sertanejas quanto ao projeto de transposição do Rio São Francisco. E olha que vivo no olho do tumor, na região onde seca, falta de água ( as duas coisas não são a mesma coisa) e miséria se perpetuam. Na carta pública de dezembro último, redigida pelo bispo baiano Luiz Flávio, algumas razões porque somos contra esse projeto do Governo Lula:

(...) Os movimentos sociais e seus coletivos há muito fazem a reflexão das alternativas, origem da pauta inicial para este processo de discussão.
Não mudamos nossa compreensão da transposição de águas do rio São Francisco, conforme já expressa em Cabrobó. A transposição recebe severas críticas dos movimentos sociais, dos coletivos populares, amparados em estudos de técnicos e especialistas em recursos hídricos.
O Brasil possui uma das mais injustas concentrações no acesso à água. A transposição do rio São Francisco é um projeto de segurança hídrica dos grandes reservatórios, o que reafirma a atual lógica de exclusão no acesso à água. Ele não contempla a democratização ao acesso à água e a ampliação da rede de distribuição. Não é verdade que a transposição levará água a quem tem sede, e isto, por si só, já é um impedimento ético mais do que suficiente para justificar a oposição a este projeto.
De qualquer forma, tomamos a iniciativa de trazer um documento que sintetiza os principais argumentos éticos e sociais que amparam a consciente oposição à transposição.
O rio São Francisco, vítima de décadas de descaso e exploração insustentável, agoniza lentamente. É imperativo um pacto nacional pela recuperação do rio. Os diagnósticos da situação são amplamente conhecidos e os documentos que trouxemos demonstram claramente isto.
Precisamos passar do diagnóstico para o tratamento real e efetivo, acima e além de quaisquer interesses regionais ou institucionais isolados e de curto prazo.
O desenvolvimento do Nordeste brasileiro exige a superação da visão preconceituosa do que seja a vida no Semi-Árido. Já existe uma proposta básica, um indicativo de caminho, para um projeto de desenvolvimento, baseado na convivência com o Semi-Árido. Uma proposta viável em termos técnicos e econômicos, além de socialmente justa e inclusiva.
Em primeiro lugar, é de fundamental importância que a democratização do acesso à água seja o tema central do modelo de desenvolvimento a ser discutido. A água é um direito humano fundamental, secularmente negado à população do Nordeste brasileiro, porque as obras hídricas sempre reproduziram o modelo concentrador e excludente.
Para o desenvolvimento de um sistema integrado de gerenciamento dos recursos hídricos existentes no Semi-Árido brasileiro, será essencial que a água democratizada esteja realmente disponível para o atendimento das demandas da população.
Mas a água, por si mesma, não é suficiente para garantir um desenvolvimento socialmente justo e economicamente inclusivo. É essencial a concepção de uma reforma agrária que seja desenvolvida a partir das reais características do Semi-Árido.
Existem inúmeras iniciativas da sociedade organizada que demonstram as potencialidades da convivência com o Semi-Árido. As cisternas de placas para consumo doméstico, as cisternas de produção, as barragens subterrâneas, as microbarragens, dentre outras, precisam do apoio de políticas públicas que integrem e sistematizem as ações atualmente isoladas.
O modelo de desenvolvimento sustentável no Semi-Árido é um tema complexo, que demandará amplas discussões entre a sociedade, especialmente no Semi-Árido, e o governo.
Mas, quaisquer que sejam as dificuldades operacionais deste debate, é importante reafirmar a necessidade de um modelo nascido de forma democrática e participativa.
Um modelo de desenvolvimento sustentável no Semi-Árido é um importante componente de um projeto de País que seja realmente democrático, justo e inclusivo a toda população historicamente marginalizada.
Esperamos que a abertura deste grande processo de discussões receba as Bênçãos de Deus e que seja um marco histórico na transformação de nosso País.
(Brasília, 15 de dezembro de 2005.Dom Luiz Flávio Cappio, Bispo Diocesano de Barra, BA)

Aceita-se pitacos:

14.2.06




1) - Vai torcendo porque se eu ganhar a Mega Sena acumulada, nós vamos ver os shows dos Roulinstones e do Iutxu ! De avião!
- Oxe! Tô fora! Só se for pela viagem e pelo passeio. Sair daqui pra ir ver aqueles caras tocando e cantando sabe-se lá o quê? Tá doido, é? Deixa eu aqui com meu forrozim!

2) A neta de Zefa, 3 meses, xodó-de-todo-mundo, caiu dos braços da Tia Leleca. Não foi uma queda tão grave, Tia Leleca foi sentar nessas cadeiras de plástico de 15 reais, a cadeira se arreganhou toda com o peso, a sobrinha escapuliu dos braços da tia. Choro e preocupação geral. Zefa acudiu, sábia:
- Vamos dar um banho de susto na menina.
Eu quis saber como é que é esse banho de susto.
- Pega três pedras, limpa as pedras, coloca no fogo de brasa até ficarem bem quentes. Joga as pedras quentes dentro de uma vasilha com água. Deixa a água amornar e dá um pouco pra criança beber. Com o restante dá um banho começando pela cabeça. Faz isso durante três dias.
A neta de Zefa tá lá, danada de esperta! Xodó-de-todo-mundo.

Aceita-se pitacos:


Conhecendo o Pajeú



Sertaneja de Iguaracy, Andree Perazzo homenageia sua terra e seus conterrâneos com o livro recem-publicado A CIDADE DEUS DO SOL. Misto de memórias e pesquisa histórica, é uma importante contribuição para minimizar a carência de informações sobre a história de Iguaracy e do Pajeú. Para comprar, clique aqui.

Aceita-se pitacos:

10.2.06


DE REPENTE, UM NORTE
Odília Renata, de Tuparetama, agora cidadã do mundo, anda por aí fazendo o maior sucesso com seu monólogo DECRIPOLOU-TOTEPOU ( De criança, poeta e louco todos temos um pouco). Fez temporada em Recife-PE, passou pela Espanha e Portugal, ganhou o prêmio do juri popular no recente festival de monólogos de Fortaleza-CE...
Odília conseguiu cruzar o mar mas não conseguiu, ainda ,vencer a falta de apoio (transporte e hospedagem para sua equipe de 4 pessoas) para levar DECRIPOLOU para sua terra sertaneja.


REPENTE NO NORTE
O poeta (repentista, cantador, violeiro, compositor...) Valdir Teles se apresenta nesses próximos quinze dias no Acre e Roraima. Valdir está entre os maiores nomes do repente nordestino. O que me espanta em Valdir (e nuns outros poucos colegas seus de profissão) não é o talento imenso, é a capacidade de se manter às custas dessa arte, morando no sertão do Pajeú.

Aceita-se pitacos:

9.2.06


DIA DO FREVO



Prestatenção, cumpadres: Tudo aquilo que temos de MAIOR e MELHOR vem do povo, é feito pelo povo. Olhaí o FREVO.
Aceita-se pitacos:

8.2.06



Este é o nosso conhecido Inocêncio. Veterano representante do Pajeú na Câmara Federal. Que tanto fez em tantos anos por todos nós. Que serve de espelho para tantos marianos, teobaldos, joaquins, sebastiões, severinos e prefeitoches locais! Que, vejam só, pulou do PFL para o PL e nesse salto qualitativo espera alcançar o palácio das princesas....!!! Este patrimônio do Pajeú permanentemente pobre (por isso mesmo) sofre agora mais uma investida das forças adversárias que o querem longe dos braços e dos votos sempre tão conscientes do povo pernambucano.
Aceita-se pitacos:


um pitaco:
CINEMA É COISA RARA NAS CIDADES DO PAJEÚ. AS QUE TÊM CINEMA, NÃO TÊM OPÇÃO DE ESCOLHA... RAIMUNDO PAJEÚ TEM MELHOR, TEM O MENTOR QUE LHE EMPRESTA OLHOS E MENTE E VÊ PRA GENTE AQUILO QUE PROVAVELMENTE NUNCA SE VERÁ POR AQUI....



" Ontem assisti ao filme palestino "Paradise Now". A estréia acontece em um momento ideal: após a vitória do Hamas nas eleições palestinas. E após o término do filme, você entende porque o Hamas venceu as eleições.
Uma cidade da Faixa de Gaza - que os tradutores do filme insistem em denominar "Margem Ocidental" - suja, sem trabalho, sem policiamento, semi-destruída pela guerra civil, sem a presença de Estado - pois não há Estado - num contraste terrível com a israelense Tel Aviv : moderna, rica, limpa e dinâmica, é o cenário do filme.
É nesse ambiente hostil que os grupos "terroristas" vivem e alimentam, com o apoio da população palestina, o ódio gigantesco por Israel. É nesse ambiente desumano que jovens sem perspectivas de um futuro digno sacrificam-se como "bombas humanas".
"Paradise Now" é a história de dois jovens palestinos, que são preparados para mais um sacrifício em nome da causa palestina. Após todo um ritual eles partem para Tel Aviv. A tentativa do atentado é frustrada e eles têm que retornar à Faixa de Gaza. Nesse retorno acabam questionando a eficácia desses atentados terroristas. Um deles termina desistindo da operação, outro não - seu pai foi um colaborador dos israelenses e por isso foi "sacrificado" por uma organização palestina. Ele tenta, ao se oferecer como homem-bomba, honrar o nome do pai. O amigo que desistiu do atentado tenta desesperadamente convencer o outro a fazer o mesmo, pois a situação fugiu do controle da organização clandestina, mas não consegue.
A tentativa solitária de cumprir esse destino tem um lance interessante, quando ele chega a um ponto de ônibus - a missão é explodir a bomba dentro de um ônibus israelense - próximo a uma comunidade rural, mas ao ver israelenses humildes entrando nesse ônibus ele desiste de concluir seu trabalho ali, pois o atentado não teria a repercussão necessária. Na tentativa seguinte, ele está num coletivo em Tel Aviv, lotado de jovens e de soldados israelenses e a câmera vai se aproximando dos seus olhos, numa cena maravilhosa, até que a tela torna-se branca, sem som, e aparecem os créditos finais do filme. Será que ele cumpriu a missão? Eu diria que sim.
Uma boa surpresa: a atriz que faz a mãe desse rapaz, Hiam Abbas - o que não desiste da "missão" - é a mesma atriz que faz a palestina no fime "Zona Livre". Ela é palestina!!!!
Não assistirei ao filme "Munique" do Spielberg - que trata também do terrorismo - o "mau" terrorismo, que os grupos palestinos cometem e o "bom" terrorismo, executado pelo governo Israelense, via Mossad, para vingar a honra dos israelenses. O pré conceito que tenho, posso estar enganado, é de que o filme do Spielberg é pró Israel. Por isso não deve ser tão esclarecedor quanto o filme palestino, que custou, no máximo 1/10 do custo de "Munique". (HMDF)

outro pitaco:

NOTINHA PAJEUZEIRA....

Da coluna do jornalista Anchieta Santos: Prefeito praticar nepotismo não é nenhuma novidade agora como Marcone Santana(PFL) prefeito de Flores-PE parece não ter igual. Contando esposa, irmãos, cunhados, primos, concunhados e tia são 21 ao todo. Marcone Santana deixou Zé Veras de Ingazeira-PE comendo poeira na quantidade de parentes pendurados na prefeitura.

pitaco derradeiro de hoje:

NÃO HÁ TRISTEZA NEM MAU-HUMOR
QUE RESISTA A UMA VISITA NO KIBE-LOCO

Aceita-se pitacos:

6.2.06




SOBRE ALDEMIR:
Aldemir traz para a pintura brasileira (mais precisamente para esta imagem que absorvemos como a nossa pintura), o gosto do Brasil do interior.
Como uma criança, este artista areja nossa academia mofada de preceitos e receitas.
O país de Aldemir é o velho nordeste com sua realidade arcaica, mas que nos toca com sua simplicidade de gestos, de formas e de cores. Mas perguntando como Aldemir nos transmite estas coisas, rápido compreendemos que elas nos chegam rapidamente, graças à sua maestria de desenho e sua qualidade de trabalho.
O artista antecipa visões: seu desenho é Arte rupestre. Sua paixão: objetos e instrumentos que restam em regiões distantes e suas profissões ainda vivas.
Aos artistas mais jovens uma lição: o velho é o novo, seu olhos tudo irão transformar.
scolhendo o país como imagem ele vai permeando a arte contemporânea com rosas do interior pernambucano, grafismos carajás, imagens de frutas que os moradores das cidades litorâneas jamais irão conhecer, e composições que lembram singelos arranjos populares.
O artista parece dizer: venham conhecer este país e não aquilo que viram e nos contaram os colonizadores europeus. E que um grande engano percorre nossas cabeças: estamos de costas para o país. Perdemos essa grande qualidade de coisas que nos cercam, qualidade muito rara por aqui.
Geralmente pensamos que tudo que é estrangeiro (entendendo como estrangeiro uma faixa mental restrita que vai de uma parte imaginária da Europa ocidental passando pela Califórnia e Nova York ou coisa sacramentada pela elite desta região) é infinitamente superior a nossa produção.
Milhões de termos foram inventados para nos lembrar nossa terrível inferioridade artística: tupiniquim, caboclo, caipira, etc. Será que os inúmeros repetidores destes termos alguma vez estudou a cultura dos índios tupiniquins? Eu duvido. Ou ainda quantos deles já foram à França e se derramaram em elogios quando falando da comida dos camponeses franceses; ou melhor dizendo dos caipiras franceses.
Num país com essa pessoas como regra, é difícil fazer arte. Mas tem gente que conseguiu, e foi mais longe, fazendo uma obra que tem como tema o nordeste brasileiro, mesmo que vivendo em uma mega-cidade São Paulo e conhecendo o mundo inteiro como Aldemir conhece.
Eu tenho algumas idéias sobre como Aldemir consegue ser tanto sua própria imagem. Segue à risca os mandamentos dos pintores Tchan chineses: se queres realmente ser um bom pintor de bambus, se transforme num deles.
Assim, viajando com Aldemir, a gente nota que ele come o que qualquer pessoa do interior do Brasil come, escolhe uma fruta que deixa até um feirante do deserto de Gobi constrangido, ou conversa com naturalidade com um jangadeiro (que se espanta com sua familiaridade com os nomes das peças de sua jangada). Indo a uma recepção, algum tempo depois, fala para um alto dirigente político as piores verdades.
Toda essa personalidade peculiar, criada num país peculiar, usando os mais sofisticados meios artísticos com uma sensibilidade visual inigualável, aliada a uma das erudições artísticas mais completas que conheci, faz dele um artista único na história da arte brasileira deste século.Rubens Matuck - 09 de abril de 2000.

Aceita-se pitacos:

5.2.06


E O SERTÃO CONTINUA AO DEUS-DARÁ....

A Barragem da Cachoeirinha é um projeto antigo- quando eu nasci já se falava dele- para suprir a falta de água no Pajeú. Abrange os municípios de Ingazeira, Tuparetama, Iguaracy, Tabira, São José do Egito e Afogados da Ingazeira. No Governo FHC finalmente as verbas para construção da barragem entraram no orçamento da União e foram aprovadas. As obras tiveram início, até que movimentos católicos liderados pelo bispo de Afogados da Ingazeira entraram na justiça contra a obra, alegando que sua construção afetaria a barragem de Brotas e o abastecimento daquela cidade. Movimentos de base também se uniram contra, preocupados com as indenizações de terras dos pequenos proprietários atingidos pela construção, tanto por causa do valor determinado quanto pela exigência -justa- de pagamento antecipado. (Todo governo é caloteiro). Pra piorar a situação, a empresa contratada para o serviço estava envolvida nas denúncias de fraude e corrupção noticiadas pela imprensa naquele ano eleitoral que, mesmo assim, reelegeu FHC.
As obras foram suspensas.
As obras estão suspensas.
Continuamos vivendo ano após ano os mesmos problemas de falta de água. Problemas muito maiores e muito mais graves para quem vive na zona rural destes municípios.
Prefeitos, vereadores e associações chegaram a acreditar que com a vitória de Lula, nordestino e pernambucano como nós, a Barragem finalmente seria realidade.
Uma comitiva foi a Brasília falar pessoalmente com o ministro Ciro Gomes. Ele prometeu empenhar-se a favor.
Já se vão quatro anos.



Entre brigas locais, regionais e nacionais de interesses pequenos e pessoais, pendengas políticas, corrupção, omissão, desinformação e tudo o mais, vamos seguindo sem nossa barragem e sob a constante ameaça de sede.
Pra piorar, o Governo Lula cismou de fazer a transposição do Rio São Francisco, uma empreitada que além de faraônica, no pior sentido da palavra, é rejeitada por qualquer ser humano que se dê ao trabalho de ler pelo menos as mínimas opiniões de estudiosos, cientistas e sensatos sobre o projeto.
Como tudo aqui AINDA acaba em Carnaval, vem aí a Mangueira falando sobre o São Francisco e, dizem, com patrocínio do Governo do Ceará, mediante empenho do ministro Ciro Gomes, pró-transposição. Empenho que ainda se aguarda, do ministro e autoridades, para resolver ou amenizar, de fato, nossa situação no Pajeú.

[imagem- à cacimba/acrílica sobre juta/2000-Tarcio Oliveira]
Aceita-se pitacos:

3.2.06


OS CARAS JÁ ESTÃO DANDO AS CARAS POR AÍ....
Pelas cidades do Pajeú já começam a aparecer com jeito de quem não quer nada esses pré-candidatos da próxima eleição vindoura. Com a cara mais lisa do mundo. Até Jarbas, governador ausente e azedo para as coisas e necessidades daqui do interior do Estado já fez nestes meses recentes suas subidas em caminhões e palanques improvisados do Pajeú.
Pra comentar e alertar e desopilar esse começo de romaria que se estenderá até outubro, trago os versos certeiros de Jessier Quirino, COMÍCIO EM BECO ESTREITO. no livro PROSA MORENA.



Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição.

Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido.

Uma gambiarra véa
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um taró
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer.

Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha e essa:
Três promessa por minuto.

Anunciar a chegança
Do corruto ganhador
Pedir o "V" da vitória
Dos dedo dos eleitor
E mandar que os vira-lata
Do bojo da passeata
Traga o home no andor.

Protegendo o monossílabo
De dedada e beliscão
À cavalo na cacunda
Chega o dono da eleição
Faz boca de fechecler
E nesse qué-ré-qué-qué
Vez por outra um foguetão.

Com voz de vento encanado
Com o VIVA dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar do roubo dos home
Prometer o fim da fome
E tá ganha a eleição.

E terminada a campanha
Faturada a votação
Foda-se povo, pistom
Foda-se caminhão
Promessa, meta e programa...
É só mergulhar na brahma
E curtir a posição.

Sendo um cabra despachudo
De politiquice quente
Batedorzão de carteira
Vigaristão competente
É só mandar pros otário
A foto num calendário
Bem família, bem decente:

Ele, um diabo sério, honrado
Ela, uma diaba influente
Bem vestido e bem posado
Até parecendo gente
Carregando a tiracolo
Sem pose, sem protocolo
Um diabozinho inocente.

Aceita-se pitacos:


Eita! Presentes!

De fora recebi nesta semana conteúdo para rechear as horas de leitura com saber e prazer: Do Galpão CineHorto chegou a revista de teatro nº 2, SUBTEXTO. Edição caprichada e conteúdo de primeira. Como destaque, três grupos escrevem sobre suas experiências durante o processo de criação e montagem de novos espetáculos: o Teatro da Vertigem (BR3),CPT (Antígona) e o próprio Galpão (Um homem é um homem). A distribuição é gratuita.
Do meu mentor paulista, um presente quentinho, saído do forno agora, assim encaminhado: Penso que você gostará deste livro. Você foi o responsável pela descoberta de Mariana Mesquita, jornalista pernambucana morando no Rio, morando novamente no Recife, pois através do blog Fiteiro acessei o blog desta pernambucana, Maricota. Este livro/tese de mestrado da jornalista, creio, vai ao encontro dos sentimentos e pensamentos que o matuto do Sertão do Pajeú tem sobre a cultura popular desse grande Estado Brasileiro: Pernambuco. O livro é JOÃO, MANOEL, MACIEL SALUSTIANO- Três gerações de artistas populares recriando os folguedos de Pernambuco-.


Aceita-se pitacos:


VOLTEI!
Nem bem "inaugurei" esse blog, sumi!. É que passei a semana bem ocupado/atrapalhado com o pessoal da CDPT para colocar o sítio da companhia na rede. Deu trabalho, ainda estamos "apanhando" bastante pois não sabemos quase nada de html e essas linguagens virtuais.... mas está - finalmente- hospedado e de portas abertas para visitas.

Aceita-se pitacos:

 

Home